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O custo por ponto conquistado no Brasileirão 2017


Após a publicação sobre a eficácia dos times brasileiros referente a gestão dos custos do departamento de futebol e o desempenho no campeonato brasileiro, foi sugerido uma análise sobre o custo por cada ponto conquistado pelas equipes.

Foi considerado na análise os mesmos valores do post anterior, 8 meses da temporada. Segue abaixo a relação:


Pela tabela podemos observar que um custo abaixo de R$ 50 milhões (R$ 6,25  milhões/mês)  aumenta o risco de um time ser rebaixado, casos de Ponte Preta e Coritiba. Sport se livrou nas últimas rodadas, bem como o Vitória. 

Em 2016 vários times com R$ 5 milhões/mês conseguiram êxito, como a própria Ponte Preta, além do Vitória, Sport e Chapecoense. Provavelmente os custos com salários devem ter sido inflacionados em 2017, pois apenas três times tiveram gastos abaixo de 50 milhões. Em 2016 seis times tiveram orçamentos abaixo dos 50 milhões.

O mesmo se observa para os times que chegaram entre os seis primeiros colocados. Nenhum time gastou menos do que R$ 139 milhões (R$ 17,4 milhões/mês) com o departamento de futebol em 2017, enquanto que em 2016 quatro dos seis times que chegaram entre os seis primeiros gastaram menos, sendo que Botafogo e Atlético Paranaense gastaram a metade dos demais classificados para a Libertadores.

Podemos observar que, para se classificar no G6 o custo médio do departamento de futebol ficou entre R$ 17,4 milhões e R$ 21 milhões mensais. Palmeiras e Flamengo gastaram 62% a mais para obter o mesmo resultado, demonstrando ineficiência na gestão dos recursos. 

Pior fizeram Fluminense e Atlético Mineiro, que com gastos similares a quatro times do G6 não conseguiram êxito algum. O campeão de ineficiência, como no relatório anterior,  foi o São Paulo, com o maior custo por ponto e ficou a maior parte do campeonato brigando para não ser rebaixado. 

Como apontado no post anterior, Chapecoense mais uma vez foi o destaque positivo, com um custo de R$ 1,0 milhão/ponto e ainda conseguiu se classificar para a Pré Libertadores. Por outro lado Fluminense, São Paulo e Atlético Mineiro pelo alto custo e baixa performance além de Palmeiras e Flamengo, pelo alto custo para obter resultados similares a times com custos 60% inferiores, foram os destaques negativos.

Vale ressaltar que Atlético Mineiro,Flamengo, Grêmio, Palmeiras e Santos disputaram a Copa Libertadores da América, o que provavelmente fez com que esses times investissem em elencos mais fortes e maiores, fato que não foi repetido por Botafogo e Atlético Paranaense, que aumentaram em 15% e 12% respectivamente seus custos em relação a 2016.

Baseado em 2017, para não ser rebaixado o ideal é que o custo com o departamento de futebol seja no mínimo R$ 50 milhões (R$ 6,25 milhões mensais). Para se classificar no G6 o mínimo deve ser por volta de R$ 140 milhões (R$ 17,5 milhões/mês). Como não há luvas pelo novo contrato de TV vamos aguardar se os custos em 2018 permanecerão nos mesmos patamares.

Você pode estar questionando qual seria o custo para um time ser campeão. Fiz mais uma tabela comparativa para avaliar este tema.



Nos últimos 7 anos o custo médio com departamento de futebol para um time ser campeão brasileiro  é de R$ 1,83 milhões/ponto. O Corinthians foi o time que tem os três maiores custos para ser campeão. Além disso as duas últimas conquistas do Timão foram os maiores custos por ponto dos últimos sete anos, sendo a conquista de 2017 um custo 40% acima da média (R$ 23 milhões / ponto), principalmente pela baixa pontuação final.

Provavelmente, com os fortes incrementos de faturamento dos times brasileiros e consequentemente aumento de salários dos jogadores, nos próximos anos dificilmente um time conseguirá ser campeão brasileiro com custos abaixo de R$ 2,0 milhões / ponto , ou seja,  algo em torno de R$ 20 milhões mensais como custo do departamento de futebol.

Podemos constatar que existem várias formas de se avaliar a gestão de um time de futebol. Em algumas vezes a bola pode entrar por acaso, mas com a profissionalização cada vez mais implementada nos times brasileiros, é importante que vários profissionais de boa qualidade façam parte da gestão, pois a tendência é que a nas próximas temporadas a bola dificilmente entrará por acaso.

Parafraseando Muricy Ramalho: "a má gestão pune!"











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