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Público e Renda: Campeonato Brasileiro 2017 R36



Fim de Feira.

A rodada 36 teve cara de fim de feira. Nessa altura do campeonato, onde em tese teríamos várias decisões acontecendo em quase todas as disputas, tivemos a segunda pior média de público pagante (10.281/jogo), a segunda pior taxa de ocupação (29%) e o segundo pior ticket médio (R$ 17,24), além da pior média de renda bruta do campeonato (R$ 211.273/jogo).

O sexto campeonato nacional mais valioso do planeta continua sendo tratado como um torneio de segunda pelos seus organizadores, pelos times e também pelos torcedores. A cada ano as Copas conseguem atrair mais público do que o principal campeonato do Brasil.

A torcida gremista desde o final do primeiro turno virou as costas para o Brasileirão. Apenas no jogo contra o São Paulo, na rodada 35, mais de 20 mil tricolores gaúchos compareceram à sua belíssima arena. Justamente no jogo que valia a vaga no G4. A média de público pagante do Grêmio no segundo turno é de 15.151 mil/jogo, bem abaixo da média total de 20.448/jogo durante todo campeonato. Por outro lado, os gremistas lotaram a sua arena na semifinal e na primeira final da Copa Libertadores. Esse fato demonstra que quando o torcedor percebe valor ele comparece.

A torcida são paulina é outro exemplo. Após um show na arquibancada para ajudar seu time a fugir da zona do rebaixamento, agora que não há mais riscos, houve pela primeira vez no segundo turno um público pagante abaixo dos 25 mil. Mais um dado que demonstra que quando o jogo tinha valor o torcedor compareceu em maior número. Apesar dessa queda, os mais de 22 mil pagantes do jogo contra o Botafogo no Pacaembu foi o maior público da rodada.

Um tema que precisa ser melhor debatido é o jogo Flamengo e Corinthians na Ilha do Urubu. O clássico entre as duas maiores torcidas do Brasil, que seria igual a um jogo entre Real Madrid e Barcelona em termos de torcida, levou apenas 12,2 mil pagantes ao jogo. Um jogo desse nível ser disputado nesse tipo de estádio é como Real Madrid e Barcelona jogassem no estádio do Getafe. Por mais que os custos de jogar no Maracanã sejam altos, não se pode aceitar que jogos dessa magnitude sejam disputados nessas condições. Isso é tratar o produto como de segunda classe.

Na semifinal da Copa Sul-Americana entre Flamengo e Júnior Barranquilla no Maracanã, o jogo que o torcedor percebeu que tinha valor, foram mais de 33 mil pagantes e renda bruta sete vezes maior (R$ 2,05 milhões). 

O Flamengo não joga no Maracanã bem como o Atlético Mineiro não joga no Mineirão devido aos altos custos das duas arenas após as reformas para a Copa do Mundo de 2014. Por outro lado, os custos para jogar em qualquer uma das novas arenas construídas e/ou reformadas também é mais alto.

O Palmeiras consegue obter lucros devido à boa média de público, mas essa alta média de público está diretamente ligada aos resultados esportivos. Agora que o time já não tem grandes objetivos no campeonato o público da última rodada como mandante foi o pior desde a inauguração do Allianz Parque e a renda bruta praticamente cobriu os custos da arena.

De um lado temos as novas arenas com altos custos de manutenção, o que afastou grandes torcidas como do Flamengo e do Atlético Mineiro dos seus principais palcos, impactando nas suas arrecadações e principalmente na média de público. Além disso temos um sistema de disputa do Brasileirão que acaba afastando o torcedor dos times que não estão em grandes disputas, pois o torcedor não vê valor nesses jogos. Também estamos observando a cada ano os times priorizarem as Copas, onde todos os jogos têm valor, há uma grande dose de imprevisibilidade, o que é um valor percebido pelo torcedor.

Como tenho repetido várias vezes nos meus posts, não é chegada a hora de uma avaliação geral visando entender o que o torcedor valoriza no campeonato brasileiro e buscar soluções além de redução de preço para aumentar o comparecimento do torcedor aos jogos, valorizando o produto ofertado?

Ou será que iremos ver repetidamente a cada ano esse clima de fim de feira e de campeonato de segunda linha?







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