Pular para o conteúdo principal

Público e Renda: Campeonato Brasileiro 2017 R26



Mais um vôo de galinha?

Na rodada 23 fiz a indagação referente às dificuldades de manter a média de público pagante e renda bruta em um patamar estável dentro de todo o campeonato. Após três rodadas com médias de público abaixo dos 15 mil, a rodada 26 deu um salto e atingiu pela terceira vez no campeonato a média acima de 20 mil pagantes. Coincidentemente com a R14, que também foi acima dos 20 mil, esta rodada também atingiu boa média em 9 jogos, pois o jogo Vasco x Chapecoense foi disputado com portões fechados.

A média de 20.748 pagantes/jogo foi possível de ser alcançada pois, contrariamente ao histórico deste campeonato, tiveram 4 jogos com público pagante acima de 20 mil:

Bahia x Coritiba: 20.880 
Cruzeiro x Corinthians: 26.836 
Palmeiras x Santos: 37.527
São Paulo x Sport: 43.071

Podemos observar que, com apenas 2 a 3 jogos com média acima de 20 mil pagantes, é praticamente impossível de se atingir médias acima dos 20 mil. Portanto, acima de 4 jogos com público pagante elevado, as chances aumentam. 

Palmeiras e Santos mantiveram o histórico de bons públicos nos clássicos e a torcida do São Paulo, com média de público nível europeu nos últimos 6 jogos, foram os responsáveis principais da boa média de público pagante da R26.

A CBF, como organizadora do campeonato, caso tivesse essa preocupação, poderia definir metas para cada clube elevar suas taxas de ocupação, com premiações e punições financeiras para os clubes. Juntamente com essas medidas, seria importante definir ações para aumentar a presença de público. Para isso é necessário entender o comportamento do torcedor, como os novos gestores da FIA estão fazendo na F1.

Outro ideia poder ser como a da Fundação Municipal do Esporte (FME) de Florianópolis, com o objetivo de integrar alunos, pais e professores por meio do esporte. Uma ação de uma iniciativa municipal, mas que poderia ser muito bem adotada pela CBF e pelos clubes.

Muito mais do que apenas exigir presença dos atletas nas decisões das confederações, federações e clubes, a presença de profissionais competentes em suas respectivas áreas deveria ser cada vez mais valorizada pois, com certeza o debate e as melhorias seriam mais eficazes. De acordo com fontes da CBF, as reuniões onde os executivos dos times foram a maioria dos presentes, os resultados e o nível das discussões foi muito mais eficazes do que quando a presença dos cartolas foi maioria.

Quanto tempo o futebol brasileiro ainda resistirá sem que haja uma mudança de visão no futebol brasileiro?









Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O verdadeiro 7 x 1 é fora de campo

Após a eliminação da Alemanha na fase grupos da Copa do Mundo de 2018 começaram a surgir vários questionamentos nas mídias sociais e na TV se a valorização do futebol alemão até agora seria válida ou não.
Quem tem uma visão resultadista provavelmente adorou a eliminação, criticou a exaltação da Alemanha dos últimos anos, mandou memes, cantou a versão do "Bela Tchau" para os alemães e até questionou se o que os tetracampeões fizeram em 2014 foi realmente merecedor ou apenas coincidência.
Par quem tem uma visão mais ampla de gestão e estratégia provavelmente não caiu no embalo da turma do oba oba e, pelo contrário, até lamentou a precoce eliminação alemã. Para entender a questão campo do resultado obtido pelos alemães em 2018, recomendo a excelente análise do Leonardo Miranda.
Referente a questão da gestão e da estratégia de como o produto futebol é gerido pela federação e pela liga alemã, o 7 x 1 fora de campo continuará imperando por muito tempo caso a visão resultadista e limi…

O consumo per capita das maiores torcidas do Brasil

Na semana passada efetuei uma análise sobre a efetividade das atuais gestões em converter a sua base em sócio torcedores, em bilheteria e sócios do clube social. Houve um ajuste na análise pois faltaram os dados de faturamento de bilheteria do Grêmio.

Pelo segundo ano consecutivo, efetuei um estudo visando calcular qual seria o consumo per capita dos torcedores das maiores torcidas do Brasil.

Os dados foram coletados do relatório no siteSports Value. O número de torcedores foi baseado na última pesquisa Datafolha de abril de 2018. Apesar do faturamento com bilheteria não constar no balanço de Corinthians, Grêmio e Fluminense, para não haver distorção na análise, foi considerado o faturamento bruto coletado no site globoesporte.com.
Na tabela abaixo podemos observar ranking de consumo per capita considerando como base o total de torcedores em todo o território nacional:




Nessa análise é possível verificar que, como no ranking anterior, o Botafogo é o grande destaque com faturamento de 42 mi…

O custo por ponto conquistado no Brasileirão 2017

Após a publicação sobre a eficácia dos times brasileiros referente a gestão dos custos do departamento de futebol e o desempenho no campeonato brasileiro, foi sugerido uma análise sobre o custo por cada ponto conquistado pelas equipes.
Foi considerado na análise os mesmos valores do post anterior, 8 meses da temporada. Segue abaixo a relação:

Pela tabela podemos observar que um custo abaixo de R$ 50 milhões (R$ 6,25  milhões/mês)  aumenta o risco de um time ser rebaixado, casos de Ponte Preta e Coritiba. Sport se livrou nas últimas rodadas, bem como o Vitória. 
Em 2016 vários times com R$ 5 milhões/mês conseguiram êxito, como a própria Ponte Preta, além do Vitória, Sport e Chapecoense. Provavelmente os custos com salários devem ter sido inflacionados em 2017, pois apenas três times tiveram gastos abaixo de 50 milhões. Em 2016 seis times tiveram orçamentos abaixo dos 50 milhões.
O mesmo se observa para os times que chegaram entre os seis primeiros colocados. Nenhum time gastou menos do que…