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Campeonato Brasileiro 2017 - Análise de Performance



Começou o segundo turno do do Brasileirão da Série A 2017. Quanto mais o campeonato se desenvolve, mais vão se consolidando os grupos que disputam o título, o G4, o G6 e os que lutam para fugir do rebaixamento.
Seguem abaixo as constatações estatísticas atualizadas após o final do primeiro turno.

Corrida para o título
Muitos já consideram o Corinthians como o virtual campeão brasileiro de 2017, pois a campanha até o momento é a melhor da história dos pontos corridos. O aproveitamento de 82% é fantástico, juntamente com a invencibilidade no campeonato e a diferença de 8 pontos para o segundo colocado. Os 47 pontos conquistados pelo Corinthians em 19 jogos é a mesma pontuação do Cruzeiro em 2003 em 25 jogos.
A maior pontuação do primeiro turno até o último campeonato tinha sido do Atlético Mineiro em 2012 com 43 pontos (80% de aproveitamento), mas a diferença de 1 ponto para o segundo colocado, Fluminense, fez toda a diferença para a virada do tricolor carioca no segundo turno.
As maiores diferenças de pontuação entre o primeiro e segundo colocado no final do primeiro turno tinham sido do São Paulo em 2007 (5 pontos) e do Cruzeiro em 2014 (7 pontos). Nesses dois anos o primeiro colocado do primeiro turno foi o campeão brasileiro. Em 69% das vezes o campeão do primeiro turno foi o campeão brasileiro.
A média histórica para ser campeão brasileiro é (23V/7E/8D). A campanha corintiana é tão surreal que o Grêmio, segundo colocado, tem campanha de campeão, com 68% de aproveitamento, superior à média de 66.6%. Pelas duas campanhas, o Brasileirão 2017 matematicamente teria dois campeões, Corinthians e Grêmio.
Considerando que o Grêmio repita o aproveitamento do primeiro turno, o Corinthians precisa fazer a campanha do Palmeiras no primeiro turno para ser campeão (10V/2E/7D).
Portanto, a performance, a pontuação e a diferença de pontos para o segundo colocado praticamente colocam o Corinthians como virtual campeão. Apenas se houver uma grande mudança de cenário, como o Palmeiras de 2009, pode alterar a atual situação.
Vale lembrar a célebre frase de Pep Guardiola:
“Um campeonato se ganha e se perde nas 8 primeiras e nas 8 últimas rodadas”
 
Corrida para o G4
Relembrando que, nos últimos anos, para se classificar no G4 os times conseguiram em média 18V/ 9E/ 11D, aproveitamento de 55%.
Pela excelente campanha dificilmente o Grêmio sairá do G4. Santos (61% de aproveitamento) e Palmeiras (56% de aproveitamento), fizeram boas campanhas, ambos acima do aproveitamento médio. Pelo potencial do Flamengo, é possível colocar o rubro negro carioca na briga pelo G4 juntamente com os 2 times paulistas.
Nos últimos onze anos em média 3 dos 4 times que se classificaram para a Libertadores já estavam no G4 no final do primeiro turno. Portanto a chance de permanecer no G4 é de 75% no final do campeonato.
Para atingir ou permanecer no G4 os quatro times que considero que ainda disputam a vaga precisam fazer as seguintes campanhas:

- Grêmio: precisa fazer a campanha do Vasco da Gama no primeiro turno (7V/3E/9D);
- Santos: precisa fazer a campanha do Sport no primeiro turno (8V/4E/7D);
- Palmeiras: precisa repetir a mesma a campanha do primeiro turno (10V/2E/7D);
- Flamengo: precisa fazer a campanha do Santos no primeiro turno (10V/5E/4D).

Como Santos e Grêmio estão disputando a Copa Libertadores e Grêmio e Flamengo disputando a Copa do Brasil, o G4 pode virar G5 ou G6.

Corrida para o G6
Com a criação do G6 em 2016, o histórico adotado foi a campanha do Atlético Paranaense no ano passado, com 17V/ 6E/ 15D, aproveitamento de 50%. Considero que do quinto ao décimo colocados devem disputar as duas vagas do G6. Para atingir ou permanecer no G6 os seis times precisam fazer as seguintes campanhas:

- Flamengo: precisa fazer a campanha do Sport no primeiro turno (8V/4E/7D);
- Sport: precisa repetir a mesma campanha do primeiro turno (8V/4E/7D);
- Cruzeiro: precisa fazer a campanha do Flamengo no primeiro turno (7V/8E/4D);
- Atlético Paranaense, Coritiba, Fluminense e Botafogo: precisam fazer a campanha do Palmeiras no primeiro turno (10V/2E/7D).

Conforme mencionado na disputa do G4, o G6 pode virar G7 ou G8 devido às mesmas situações.

Rebaixamento
Nos últimos anos para não ser rebaixado os times conseguiram em média 11V/ 11E/ 16D, aproveitamento de 38%. A estatística histórica está sendo comprovada com os 38% de aproveitamento da Chapecoense, que está em décimo sexto colocado com os exatos 38% em 19 jogos.
Nos últimos onze anos em média 2 dos 4 times que foram rebaixados já estavam no Z4 no final do primeiro turno. Portanto a chance de permanecer no Z4 é de 50% no final do campeonato.
Todas as vezes que o time estava na última posição no final do primeiro turno, foi rebaixado. Para os times que estavam na penúltima posição, apenas dois grandes (Fluminense e Atlético Mineiro) escaparam. Todos as demais penúltimos colocados foram rebaixados. Esses dados aumentam a probabilidade de Atlético Goianiense e Avaí não saírem do Z4.
Pela diferença de apenas 6 pontos da Chapecoense e São Paulo, décimo sexto e décimo sétimo colocados respectivamente, para o Atlético Mineiro, décimo primeiro colocado, aumentam a chance de haver mudanças mais drásticas no Z4. Para fugir do Z4 os 10 times que considero que correm risco de rebaixamento precisam fazer as seguintes campanhas:

-  Vasco da Gama: precisa fazer a campanha do São Paulo no primeiro turno (5V/4E/10D);
- Ponte Preta, Bahia e Atlético Mineiro: precisam fazer a campanha similar da Chapecoense no primeiro turno (6V/2E/11D);
- Chapecoense: precisam fazer a mesma campanha do primeiro turno (6V/3E/10D).
-  São Paulo e Vitória: precisam fazer a campanha do Vasco da Gama no primeiro turno (7V/3E/9D);
- Avaí: precisa fazer a campanha do Botafogo no primeiro turno (6V/7E/6D);
- Atlético Goianiense: precisa fazer a campanha similar à do Palmeiras no primeiro turno (9V/4E/6D).

Pelas prováveis campanhas, é possível verificar que os times com maiores dificuldades de sair do G4 são Avaí e Atlético Goianiense. Vitória e São Paulo podem fazer campanha similar ao Vasco da Gama, mas os times logo acima do Z4 também podem atingir os números necessários para não serem rebaixados.
A média histórica pode ter leves distorções e os dados acima estão baseados nessa média. Com raras exceções esses números não batem no final do campeonato devido a performances acima da média, como do Corinthians neste ano, como abaixo da média, como o Palmeiras escapando do Z4 com 35% de aproveitamento em 2006 e 2014.
Quando completarmos 75% do campeonato, após a Rodada 29, iremos atualizar esses números.

"Quando os números não batem, você tem que mudar seu jogo." (Moneyball)


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