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Sócio Torcedor e Bilheteria: Os times com melhores e piores performance em 2016



Durante a última semana saiu o relatório do Itaú BBA com a Análise Econômico - Financeira dos Clubes de Futebol Brasileiros de 2017. Esse relatório serve de parâmetro para analisarmos a performance da gestão financeira e dos demais recursos dos principais times brasileiros de futebol.

Recentemente efetuei uma análise sobre os times com as melhores e piores performances em termos de gestão dos gastos salariais e o resultado em campo no Brasileirão 2016 da série A.

Baseado na mesma metodologia da análise efetuada em maio, o ranking foi efetuado de acordo com o GAP (diferença entre a classificação em faturamento com bilheteria e sócio torcedor e a posição no ranking de torcidas). Quanto maior o GAP, melhor a performance e vice versa.

Os dados foram coletados do relatório do Itaú BBA 2017 e posteriormente foram classificados dentro da metodologia proposta para se efetuar uma análise referente à eficiência e eficácia dos departamentos de marketing em relação ao faturamento com bilheteria e sócios torcedores em comparação ao tamanho da torcida.

O número de torcedores foi baseado na mesma fonte do relatório (Pesquisa Lance/ Ibope 2014). O número de torcedores do Coritiba, Chapecoense, América Mineiro, Figueirense e Ponte Preta foram coletados de sites da internet.

Devido falta de dados no balanço coletado pelo Itaú BBA, não foi possível considerar na pesquisa a performance de Sport e Santa Cruz.

Vamos aos ranking:



Os mais eficazes:  Atlético Paranaense, Internacional, Coritiba, Grêmio, Chapecoense, Palmeiras.

Os seis times conseguiram fazer as coisas certas, convertendo mais torcedores em sócios torcedores e a irem ao estádio mesmo com uma base inferior a times de maiores torcidas. No mínimo os times mantiveram a mesma arrecadação. Palmeiras e Grêmio tiveram aumento.

Méritos ainda maiores para Atlético Paranaense, Internacional e Coritiba, que tiveram boa performance nos estaduais, mas em nível nacional, com exceção do Atlético Paranaense, que ficou no G6 do Brasileirão, tiveram resultados abaixo do esperado.

Grêmio e Palmeiras também merecem destaque pela eficácia mas, o Palmeiras por ter sido Campeão Brasileiro e o Grêmio por ter sido Campeão da Copa do Brasil, provavelmente aumentaram essas receitas também pela ótima performance em campo. 

A Chapecoense, provavelmente pela comoção mundial devido ao trágico acidente do final do ano, conseguiu ficar entre os clubes com melhor performance nesse quesito, além de ter conseguido ir muito bem na Copa Sul Americana, que infelizmente matou todo o time no acidente na viagem ruma à disputa da final contra o Nacional de Medellin.

Os mais eficientes: Atlético Mineiro, Fluminense, Bahia, Figueirense

Os quatro times conseguiram fazer certo as coisas, convertendo torcedores em sócios torcedores e a irem ao estádio dentro da base de torcedores que é possível alcançar. Apenas o Atlético Mineiro aumentou o faturamento nesse quesito, os demais ou mantiveram ou tiveram queda.

Fluminense e Figueirense, mesmo sem disputar as finais dos estaduais, nem irem bem nos campeonatos nacionais, merecem destaque. Atlético Mineiro e Bahia disputaram as finais dos estaduais, além dos dois times terem conseguido boa performance nos campeonatos nacionais.

Deixaram a desejar: Cruzeiro, Ponte Preta, América Mineiro, Flamengo, Santos, Botafogo

Os seis times, devido ao seu potencial de torcedores, poderiam ter melhor performance ao se avaliar a sua base de torcedores. Os departamentos de marketing precisam avaliar quais os fatores que estão impactando negativamente e que precisam ser melhorados para converter mais torcedores em sócios torcedores e também irem mais aos estádios. Com exceção do América Mineiro, os outros cinco times tiveram queda de arrecadação nesse quesito.

Flamengo, Santos e Botafogo ficaram entre os seis melhores classificados, mas os times cariocas sofreram por falta de estádios no Rio de Janeiro, um fator que pode ter afetado na arrecadação com bilheteria. O Santos precisa avaliar o que é mais atrativo para o seu torcedor em termos de mando de campo, pois os jogos no Pacaembu estão atraindo muito mais público do que os jogos na Vila Belmiro.

Cruzeiro e América Mineiro tiverem baixa performance em campo, esse fator pode ter afetado na arrecadação, mas a Ponte Preta teve sua melhor campanha no Campeonato Brasileiro, e mesmo assim não conseguiu subir sua média de público e renda nem a base se sócio torcedor.

Decepções: São Paulo, Vitória, Vasco, Corinthians

Das quatro decepções existem três times que estão entre as cinco maiores torcidas do Brasil. Os três times precisam entender quais são os motivos que não estão conseguindo impactar seus torcedores, ficando aquém do potencial de suas bases de torcedores.

O Corinthians tem sérios problemas com bilheteria pois, devido ao modelo de negócio da Arena, toda a arrecadação vai para um fundo visando pagar a Arena. Como solução deveriam focar mais em sócios torcedores para compensar essa realidade que ainda vai levar um tempo para mudar.

São Paulo teve um bom momento na Libertadores da América, onde chegou até as semifinais. Mesmo assim, apesar de um crescimento de faturamento sobre 2015, ainda está aquém do seu potencial. Vasco da Gama também está aquém, ainda mais disputando a Série B em 2016.

Os dados desse ranking servem como parâmetro para o torcedor avaliar que apenas com uma gestão bem feita em todos os departamentos é possível se atingir resultados sustentáveis.

Por outro lado nem sempre um time que não conquista títulos tem uma má gestão. Nesses casos, saber se comunicar muito bem com seus torcedores e trabalhar seus atributos, valores e propósitos, pode ser muito bem aceito e ter o sabor de uma conquista.

Parabéns ao Atlético Paranaense, Internacional, Coritiba, Grêmio, Chapecoense e Palmeiras pela eficácia na conversão de torcedores em sócios torcedores e no faturamento com bilheteria, principalmente os gaúchos e paranaenses devido a base bem menor de torcedores e, mesmo assim, estarem sendo muito eficazes na gestão do departamento de marketing.

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