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O Dono e os Chefs



Após sete mudanças de treinadores em apenas quatro rodadas do Campeonato Brasileiro da Série A, vários colunistas estão criticando o que já é recorrente na gestão do clubes brasileiros, a troca de treinadores por maus resultados ou expectativas não alcançadas.

Para tentar ilustrar de uma forma mais lúdica as consequências deste comportamento inaceitável dos gestores esportivos, convido o leitor a ler a seguinte historia:

O Dono e os Chefs

Uma churrascaria acaba de trocar de dono no início de dezembro e, como o negócio não ia bem, o dono resolveu trocar de churrasqueiro, pois os clientes estavam reclamando da qualidade da comida, tanto que as vendas estavam baixas recentemente.

O novo mestre churrasqueiro, juntamente com o dono, estavam com várias ideias e decidiram aumentar a variedade de carnes no cardápio. No começo do ano a curiosidade dos clientes fez com que aumentassem as vendas mas,  após 3 meses, os clientes já perceberam que a qualidade e a expectativa com o novo churrasqueiro ficaram aquém do esperado e novamente as vendas diminuíram.

O dono descobriu os motivos e teve uma nova ideia,  demitiu o mestre churrasqueiro, trazendo um especialista em peixe, para criar um fato novo. O novo chef, devido a sua especialidade, pediu para alterar o cardápio,  pois ele sabia fazer muito bem peixe. 

Novamente a frequência de clientes aumentou pela novas expectativas mas, como consequência, muita carne nobre foi deixada de lado e começou a estragar, além do que, os pratos de carne que ficaram no cardápio não eram bem feitos devido a falta de especialidade do novo chef. Para completar o novo chef pediu para fazer reformas na cozinha para poder fazer seus pratos de acordo com suas técnicas.

Passado mais seis meses os resultados se repetiram.  A qualidade e a expectativa com o novo chef ficaram aquém do esperado e novamente as vendas diminuíram. Preocupado com as críticas dos clientes o dono demitiu o atual chef e resolveu transformar a casa em cantina italiana, pois era um sucesso na sua cidade.

Chegou o novo chef e as mesmas situação se repetiram. Devido a especialidade em cozinha italiana o novo chef tirou do cardápio os peixes e as carnes. Novamente a frequência de clientes aumentou pela novas expectativas mas, além das carnes, os peixes também ficaram de lado e começou a estragar. Além disso o novo chef pediu para reformar novamente a cozinha para adequar às suas necessidades, mas o dono exigiu que as carnes e os peixes ficassem no cardápio, pois ele tinha investido muito e tinha que fazer dinheiro com esses ingredientes.

O atual chef teve que aceitar, mas tanto os pratos de  carne como de peixe não ficavam bons, pois não era sua especialidade, tanto que, após mais seis meses, o chef pediu demissão pois não tinha como conviver com essa pressão.

Desesperado o dono atendeu às pressões dos clientes e contratou novamente o mestre churrasqueiro do antigo proprietário. Quando ele chegou no restaurante ele viu que a carne não era da mesma qualidade, as estruturas estavam totalmente alteradas, além de ter que fazer massas e peixes, que não eram sua especialidade. 

Após um mês de trabalho os clientes começaram a criticar novamente, pois a comida não era a mesma, os ingredientes tinham mudado totalmente e o chef pediu mais tempo para poder colocar a casa em ordem.

Os chefs que foram demitidos, com medo de perder seus empregos novamente, ao invés de exigir condições e tempo de trabalho, por segurança, começaram a servir apenas o comercial com opções de carne e frango. De uma hora para outra, todos os restaurantes da cidade começaram a ofertar comercial, e os clientes não se sentiam atraídos por nenhum restaurante, já que todos serviam os mesmos pratos, com pouca variedade de opções e de sabor.

Após dois anos, o dono vendeu o negócio porque ele não conseguiu dar resultado e veio um novo dono, cheio de ideias novas e resolveu montar um restaurante japonês.......

Fim

Moral da história:

Em quase 100% dos times brasileiros é assim que é gerido o departamento de futebol, onde se busca o resultado sem ter uma ideia clara, uma visão, uma missão , uma estratégia de longo prazo. Como consequência temos esse ciclo vicioso que impera no futebol brasileiro, principalmente por falta de visão de negócio, profissionalismo e gestão.

Podemos comparar essa situação pela análise que efetuei há duas semanas e que também foi aprofundada pelo Alex Bourgeois.

A pergunta que fica no ar é a seguinte:

Como os times brasileiros vão conseguir resultados sustentáveis, esportiva e financeiramente, se são geridos em sua grande maioria semelhantemente ao restaurante da história acima?

Comentários

  1. Nenhum clube brasileiro possui um conselho de gestores apartidario preocupado em pensar o clube estrategicamente no longo prazo, 20 ou 30 anos à frente. Pensam apenas para 20 ou 30 dias.

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