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O consumo per capita das maiores torcidas do Brasil



Na semana passada efetuei uma análise sobre a efetividade das atuais gestões em converter a base de torcedores em sócio torcedores e em compra de ingressos para os jogos de futebol. Aprofundando um pouco mais o estudo surgiu a curiosidade em calcular qual seria o consumo per capita dos torcedores das maiores torcidas do Brasil.

A base de torcedores utilizada foi a pesquisa de 2016 do Instituto Paraná Pesquisas, pois é a mais recente do mercado. Como base do consumo de cada torcida foram utilizados os dados compilados pelo Rodrigo Capelo do blog Época Esporte Clube, onde foi considerado como consumo dos torcedores as receitas com bilheteria, sócios torcedores e sócios patrimoniais. No caso do Corinthians, apesar do balanço não considerar receitas com bilheteria, na análise foi considerado R$ 48 milhões líquidos com essa fonte de receita, de acordo com o balanço do fundo do estádio.

Na tabela abaixo podemos observar ranking de consumo per capita considerando como base o total de torcedores em todo o território nacional.



Nessa primeira análise é possível verificar que sete times estão acima da média geral, mesmo não estando entre as maiores torcidas do Brasil. Destaque para os dois times de Curitiba, os dois times de Porto Alegre, além do Palmeiras, Atlético Mineiro e Fluminense. Apenas o Palmeiras, uma das maiores torcidas do Brasil, consegue destaque nesse quesito em comparação a Flamengo, Corinthians e São Paulo.

Uma possível constatação desse ranking pode ser devido a outras fontes de receita (ex: cotas de TV e patrocínio) ser inferior aos times de maior torcida, fazendo com que tenham que buscar outras fontes de receita, demonstrando uma possível maior eficácia do departamento de marketing/comercial desses times em comparação aos times de maiores torcidas.  Outra forma de avaliar essa análise pode ser o um maior nível de engajamento dos torcedores desses times em comparação aos outros nove.

Como estamos falando basicamente de receitas com bilheteria, sócios torcedores e sócios patrimoniais e sabendo que a grande parte dos programas de sócio torcedor tem como principal valor percebido a compra de ingressos, uma nova análise foi efetuada apenas considerando a base de torcedores das suas respectivas cidades, pois é provável que a grande maioria dos torcedores que consumiram produtos e serviços sejam os moradores da cidade dos seus respectivos times.

Na tabela abaixo podemos observar ranking de consumo per capita considerando como base os torcedores apenas das suas respectivas cidades.  Para o Santos foi considerado tanto a cidade de São Paulo como a Baixada Santista. Para o Grêmio e Internacional, foi considerado a região metropolitana de Porto Alegre. 



Na nova tabela o Palmeiras é o destaque, demonstrando ainda mais a eficácia do departamento de marketing/comercial bem como um possível maior engajamento da sua torcida. Outro destaque é o Atlético Mineiro, que neste novo ranking conseguiu o segundo lugar. Com exceção do Grêmio, que nesse ranking ficou com consumo per capta abaixo da média,  os outros times de melhor eficácia são os mesmos da primeira análise, apenas com algumas alterações na posições, como Coritiba se mantendo acima do Atlético Paranaense e o Fluminense na frente do Internacional. Nessa análise o Cruzeiro substituiu o Grêmio com consumo per capita na cidade acima da média.

Na parte debaixo do ranking, também existem algumas mudanças, mas em linhas gerais os cinco últimos são os mesmos nas duas tabelas, apenas com alterações nas posições, demonstrando que nas duas análises a efetividade é baixa em comparação aos sete times de melhor eficácia.

Uma forma de se avaliar esse ranking de consumo per capita na cidade é o potencial de compra de cada torcedor. Partindo desse pressuposto segue um comparativo dentro das cidades:

São Paulo
- 1 torcedor do Palmeiras consumiu o mesmo que 6 torcedores do Corinthians;
- 1 torcedor do Palmeiras consumiu o mesmo que 3,5 torcedores do Santos;
- 1 torcedor do Palmeiras consumiu o mesmo que 3 torcedores do São Paulo;
- 1 torcedor do São Paulo consumiu o mesmo que 2 torcedores do Corinthians;
- 1 torcedor do Santos consumiu o mesmo que quase 2 torcedores do Corinthians.

Rio de Janeiro
- 1 torcedor do Fluminense consumiu o mesmo que 4,5 torcedores do Vasco;
- 1 torcedor do Fluminense consumiu o mesmo que 2 torcedores do Flamengo;
- 1 torcedor do Botafogo consumiu o mesmo que quase 4 torcedores do Vasco;
- 1 torcedor do Botafogo consumiu o mesmo que quase 2 torcedores do Flamengo;
- 1 torcedor do Flamengo consumiu o mesmo que 2 torcedores do Vasco.

Rio Grande do Sul
- 1 torcedor do Internacional consumiu o mesmo que quase 2 torcedores do Grêmio.

Belo Horizonte
- 1 torcedor do Atlético Mineiro consumiu o mesmo que 1,5 torcedores do Cruzeiro.

Salvador
- 1 torcedor do Bahia consumiu o mesmo que  1,5 torcedores do Vitória.

Os dados das tabelas acima são muito similares ao ranking do estudo sobre a efetividade dos times em transformar a base de torcedores em consumidores ativos. Nos dois estudos os destaques positivos e negativos são praticamente os mesmos, demonstrando quem está fazendo melhor trabalho com seus torcedores e os times que estão deixando a desejar nesse quesito, mesmo tendo uma base de torcedores muito maior.

Os dados são superficiais e precisam ser aprofundados, mas já servem como um parâmetro para os torcedores avaliarem como os times estão trabalhando sua base e também para os possíveis patrocinadores avaliarem o potencial de consumo dos torcedores de cada time. 

Mais uma vez podemos verificar quanto os times com maiores torcidas do Brasil estão perdendo possibilidades de aumentar seu faturamento com a base de torcedores. Os motivos dessa baixa efetividade precisam ser investigados com mais detalhes para ser possível implementar estratégias que possam alterar esse cenário.

Pesquisar cada vez mais é preciso!!






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