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Dinheiro e sucesso: Os times com melhores e piores performance no Brasileirão 2016



Recentemente conheci o site CIES Football Observatory, que fica na Suíça e produz análises e estudos estatísticos no Futebol.

Em um post de 2/05/2017 o site efetuou uma análise comparativa entre o salário gasto pelos times das cinco principais ligas da Europa e a performance em campo. Baseado nesses dados eles criaram um ranking para medir a eficácia da gestão das equipes. O ranking é baseado no GAP (diferença entre a classificação final e a posição no ranking de salários). Quanto maior o GAP, melhor a performance e vice versa.

Durante o mês de maio foram publicados os balanços dos times brasileiros e, baseado nos mesmos critérios do CIES, efetuei uma análise similar para os 20 times que disputaram a Série A em 2016.

Para chegar a um dado padrão dos gastos com salários, ao invés de considerar os gastos anuais, eu considerei oito meses de salários, pois o Campeonato Brasileiro começa a ser disputado em maio e termina em dezembro.

Os dados de gastos com salários foram coletados no blog Marketing e Economia da Bola. Devido falta de todos os times que disputaram a Série A ano passado, os dados do América Mineiro, Ponte Preta Santa Cruz foram coletados de outras fontes da internet.

Vamos aos ranking:

Podemos observar que,  por essa avaliação, Ponte Preta, Santos, Botafogo e Chapecoense fazem parte do G4 em termos de gastos com salários x performance em campo. Destaque para a Ponte Preta e Chapecoense, pois ficaram entre as 4 equipes com menor folha salarial entre os 20 participantes.

Como é possível de observar no ranking do CIES, os times com maiores  folhas salariais e com boa performance ficam no meio do ranking, pois conseguiram um desempenho de acordo com os recursos investidos. Já os times com os menores gastam com salários e com baixa performance também ficam no meio do ranking, pois não conseguiram performance superior aos gastos salariais.

Por outro lado, equipes com alta folha salarial e que não correspondem com desempenho em campo, acabam ficando nas piores posições do ranking.  Baseado nesse quesito, Internacional, São Paulo, Cruzeiro e Corinthians seriam rebaixados devido a má gestão dos recursos, sem deixar de mencionar que o Fluminense também teve uma péssima gestão dos recursos.

O futebol é um grande negócio, com os principais times  faturando um total R$ 4,9 bilhões na última temporada. Em qualquer segmento uma gestão eficaz e eficiente faz toda a diferença. A eficácia da gestão deve ser medida baseado nos objetivos e metas de cada organização.

Os dados desse ranking servem como parâmetro para o torcedor avaliar que apenas com uma gestão bem feita é possível se atingir resultados sustentáveis e uma conquista esporádica de um título pode mascarar uma má gestão. Por outro lado, nem sempre um time que não conquista títulos tem uma má gestão. Nesses casos, saber se comunicar muito bem com seus torcedores e trabalhar seus atributos, valores e propósitos, pode ser muito bem aceito e ter o sabor de uma conquista.

Parabéns à Ponte Preta, Santos, Botafogo e Chapecoense pela otimização dos recursos que foram premiados com ótima performance em campo e parabéns a Palmeiras, Flamengo, Atlético Mineiro e Atlético Paranaense pois conseguiram extrair em campo de maneira eficiente os recursos aplicados.







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