Pular para o conteúdo principal

Os torcedores paulistanos não sabem o nome dos jogadores do seu time?


Nessa semana a Folha de São Paulo divulgou pesquisas com torcedores paulistanos e a manchete de uma das pesquisas foi: “Maioria dos torcedores paulistanos não sabe os jogadores do seu time”.

Para a grande maioria dos leitores, é provável que os dados da pesquisa levem a conclusão que todos os torcedores dos principais times de São Paulo não sabem o nome dos jogadores do seu time. Como pesquisador do comportamento do torcedor eu sugiro ao leitor desse post que não leve os resultados ao pé da letra.

Para se chegar a esse tipo de conclusão da pesquisa seria necessário aprofundar ainda mais sobre o perfil dos torcedores entrevistados. A faixa de renda, nível de escolaridade, gênero, idade, entre outros, não são suficientes.

Visando obter resultados mais conclusivos é necessário detectar qual o nível de envolvimento, identificação e lealdade com seu time. Baseado nesses 3 quesitos, juntamente com o comportamento de compra de produtos relacionados ao seu time, é possível detectar se o torcedor tem alto, médio ou baixo envolvimento, identificação e lealdade.

É muito provável que os torcedores que possuam níveis altos em um dos três quesitos acima mencionados, saibam a escalação completa de todos os titulares, o nome dos reservas, do treinador, do presidente, do diretor de futebol, entre outros. Por outro lado, quanto menor o nível nos três quesitos, possivelmente os torcedores não saibam o nome dos jogadores dos seus respectivos times.

Portanto, nessa pesquisa da Folha de São Paulo, é possível que a grande maioria dos entrevistados tenham baixo nível de envolvimento, identificação e lealdade com seu time. Dessa forma, a manchete da pesquisa poderia ser:

““Torcedores paulistanos que não são fanáticos não sabem o nome dos jogadores do seu time”.

Dessa forma, é necessário se efetuar pesquisas detalhadas com seus torcedores para se chagar a conclusões mais completas.

Uma forma de segmentar os torcedores é através do comportamento de consumo de produtos e serviços do seu time. Existem vários produtos disponíveis para serem consumidos, como:

 -Camisas oficiais de jogo;
- Camisas casuais;
- Ingressos para os jogos de futebol;
- Programa de Sócio torcedor;
- Viajem para assistir aos jogos fora da cidade;
- Outros produtos licenciados.

De acordo com o comportamento de compras já é possível de se segmentar os torcedores. Esse tipo de informações é possível de se obter com os parceiros comerciais dos times.

Uma outra forma de segmentar e validar o comportamento de compras dos torcedores é através de escalas disponíveis para se fazer pesquisas, visando medir qual o nível de identificação, lealdade e envolvimento do torcedor com seu time. É provável que torcedores com alto nível em um dos três quesitos possuam maior consumo de produtos e serviço dos seus respectivos times.

Uma vez efetuado esse levantamento de informações, os profissionais de marketing dos times podem segmentar esses torcedores e fazer ações para cada grupo de consumidores, de acordo com seus comportamentos de compra e nível de identificação, lealdade e envolvimento.

Além dessa segmentação, efetuar ações constantes de relacionamento e a criar de canais de contato via mídias sociais, internet e nos próprios pontos de venda, visando atender às necessidades dos seus torcedores, podem aumentar o nível de consumo dos seus torcedores.

Como podemos observar, esse tipo de trabalho é efetuado em empresas de todos os segmentos de negócio, inclusive no segmento esportivo nos principais países europeus e nos Estados Unidos.

No Brasil, esse tipo de trabalho praticamente não existe nas organizações esportivas e esse tipo de ação é fundamental para se conhecer seus clientes, aumentando o potencial de receita além de um provável aumento da base de torcedores.

Um dos resultados dessa falta de ações dentro do departamento de marketing dos times de futebol com seus torcedores pode estar relacionando com o aumento de pessoas que não torcem para nenhum time na cidade de São Paulo, subindo de 12% em 1993 para 24% em 2017.

Sem uma visão de negócio, sem estrutura profissional adequada a organizações que faturam acima de R$ 100 milhões por ano, a priorização da política e interesses pessoais em detrimento da gestão, o número de torcedores que não torcem para nenhum time tende a aumentar, em conjunto com um aumento de torcedores que desde criança começam a torcer para times da Europa e Estados Unidos, com algumas pesquisas já começam a comprovar.

Conhecer seu torcedor, seus comportamentos de compra, efetuar segmentação para ações direcionais para cada tipo de perfil é fundamental para que as organizações esportivas possam aumentar as suas receitas bem como elevar o nível de identificação, lealdade e envolvimento com seu time, evitando perder potenciais consumidores para times do exterior ou para outros tipos de entretenimento. 

Post da semana na fanpage Marketing Futebol Clube.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Dono e os Chefs

Após sete mudanças de treinadores em apenas quatro rodadas do Campeonato Brasileiro da Série A, vários colunistas estão criticando o que já é recorrente na gestão do clubes brasileiros, a troca de treinadores por maus resultados ou expectativas não alcançadas.
Para tentar ilustrar de uma forma mais lúdica as consequências deste comportamento inaceitável dos gestores esportivos, convido o leitor a ler a seguinte historia:
O Dono e os Chefs
Uma churrascaria acaba de trocar de dono no início de dezembro e, como o negócio não ia bem, o dono resolveu trocar de churrasqueiro, pois os clientes estavam reclamando da qualidade da comida, tanto que as vendas estavam baixas recentemente.
O novo mestre churrasqueiro, juntamente com o dono, estavam com várias ideias e decidiram aumentar a variedade de carnes no cardápio. No começo do ano a curiosidade dos clientes fez com que aumentassem as vendas mas,  após 3 meses, os clientes já perceberam que a qualidade e a expectativa com o novo churrasqueiro fi…

Os fatores que impactam na percepção de valor dos torcedores parte 2 : Precificação

Na semana passada iniciei uma série de posts referentes aos fatores que impactam na percepção de valor dos torcedores. O próximo fator que gostaria de compartilhar com vocês é a precificação dos ingressos.
Como ponto de partida dessa análise, vamos avaliar o comportamento do torcedor do São Paulo em alguns jogos no Morumbi:
23/03/2016 – Campeonato Paulista São Paulo 1 x 0 Botafogo de Ribeirão Preto Dia da semana: quarta feira Horário: 21:45h Público Pagante: 3.118 Renda Bruta: R$ 123.026 Ticket Médio: R$ 39,49
06/07/2016 – Copa Libertadores da América São Paulo 1 x 2 Atlético Nacional (semi final) Dia da semana: quarta feira Horário: 21:45h Público Pagante: 61.766 Renda Bruta: R$ 7.526.480 Ticket Médio: R$ 121,85
22/10/2016 – Campeonato Brasileiro São Paulo 2 x 0 Ponte Preta Dia da semana: sábado Horário: 17:00h Público Pagante: 49.673 Renda Bruta: R$ 600.541 Ticket Médio: R$ 12,09
12/02/2016 – Campeonato Paulista São Paulo 5 x 2 Ponte Preta Dia da semana: domingo Horário: 17:00h Público Pagante: 50.952 Renda Br…

Os Alienistas

Tudo começou em 1995, na final da Supercopa São Paulo de Juniores. Após o gol de ouro que deu o título ao Palmeiras, os palmeirenses invadiram o gramado para comemorar e foram provocar os são paulinos, que, aproveitando a pouca presença de policiais, invadiram o gramado, transformando o campo de jogo na primeira batalha campal entre torcidas organizadas transmitidas ao vivo pela TV. 
As consequências foram a morte do garoto Márcio Gasparin, a condenação de Adalberto Benedito do Santos e, pela primeira vez, as organizadas Mancha Verde e Independente foram extintas pelo promotor público Fernando Capez, que comentou na época: “Era necessário um tratamento de choque.”
Como na belíssima obra O Alienista, de Machado de Assis, a partir dessa época começou a batalha dos Alienistas contra a festa popular nas arquibancadas do Brasil. Depois dessa medida, as bandeiras, instrumentos, faixas, papéis picados, rojões, fogos de artifício, sinalizadores foram proibidos, além de não poder vender cerveja.…