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A taxa de conversão de cidadãos em torcedores



Na segunda feira da semana passada o Correio Brasiliense publicou uma reportagem com a média de público pagante de 2956 clubes de todo o mundo na última temporada. O título da matéria diz muito sobre o ranking “ Até o Irã dá olé no Brasil”.

O primeiro time brasileiro do ranking é o atual campeão brasileiro, o Palmeiras, na posição 56. Além do Palmeiras, apenas Corinthians e Internacional, posições 74 e 96 respectivamente, fazem parte das 100 maiores médias de público da última temporada.

Como estudioso do tema não me surpreendi com os resultados e resolvi ir mais fundo no ranking e compartilho com vocês o ranking dos países que estão no TOP 100:

 1)      Alemanha – 22 times (16 da primeira, 5 da segunda, 1 da terceira divisão)
 2)      Inglaterra – 17 times (15 da primeira, 2 da segunda divisão)
 3)      França – 8 times (7 da primeira, 1 da segunda divisão)
 4)      Espanha  – 7 times da primeira divisão
 5)      Itália e México –  6 times da primeira divisão
 6)      China e Estados Unidos– 5 times da primeira divisão
 7)      Holanda – 4 times da primeira divisão
 8)      Brasil, Portugal – 3 times da primeira divisão
 9)      Colômbia, Escócia, Irã, Índia, Japão – 2 times da primeira divisão (Escócia 1 time da segunda)
10)   Suíça, Arábia Saudita, Rússia, Bélgica – 1 time da primeira divisão

Predomínio absoluto dos europeus, com 72 times, sendo 9 times da segunda e 1 da terceira divisão. Posteriormente temos empatados 11 times da América do Norte e 11 times da Ásia, 5 times da América do Sul e 1 time do Oriente Médio.

Ao efetuar a soma da média de público dos times da primeira divisão das principais ligas e dividirmos pelo número de habitantes de cada país, a taxa de conversão de cidadãos em torcedores que vão aos jogos por rodada seria:

1)      Holanda – 2,07%
2)      Portugal – 1,79%
3)      Inglaterra – 1,37%
4)      Espanha – 1,20%
5)      Alemanha – 0,96%
6)      Itália – 0,72%
7)      França – 0,63%
8)      México – 0,37%
9)      Brasil – 0,15%
10)   Estados Unidos – 0,14%
11)   China – 0,03%

O ranking do PIB per capta dos 11 países acima é o seguinte:

1)      Estados Unidos - US$ 56,1 mil
2)      Holanda – US$ 44,3 mil
3)      Alemanha – US$ 41,3 mil
4)      Inglaterra – US$ 41,2 mil
5)      França – US$ 36,2 mil
6)      Itália – US$ 29,9 mil
7)      Espanha – US$ 25,8 mil
8)      Portugal – US$ 19,2 mil
9)      México – US$ 9,0 mil
10)   Brasil – US$ 8,5 mil
11)   China – US$ 8,0 mil

Nos estudos que efetuei, os autores pesquisados mencionam que as quatro categorias gerais dos fatores que influenciam no comparecimento de público no estádio podem ser resumidas em: a) econômica (salário, PIB, população), b) sócio demográfica, d) atratividade/ promoção do jogo e d) as preferências individuais. Também os fatores como horário das partidas, conveniência, a performance das equipes, qualidade do estádio, o preço do ingresso, as condições climáticas entre outros, são os fatores mais importantes que influenciam na decisão do consumidor em comparecer ou não a um evento esportivo.

Baseado nos dados coletados e também nos autores pesquisados, podemos observar primeiramente que os europeus dominam o ranking de taxa de conversão. A Holanda ficou em primeiro lugar na taxa de conversão em torcedores. Um dos motivos deve estar relacionado com o elevado PIB per capta, além de ter uma população pequena em comparação à grande maioria dos países do ranking e o futebol ser o principal esporte praticado no país. Portugal também se encaixa nesses quesitos, mesmo tendo pouco menos da metade do PIB per capta da Holanda.

Os outros cinco países europeus, que possuem os cinco principais campeonatos nacionais do mundo, ocupam do terceiro ao sétimo lugar no ranking de taxa de conversão. Provavelmente estão atrás dos holandeses e portugueses devido a população ser entre 3 a 6 vezes maior que os dois primeiros do ranking. Esses cinco países também possuem elevado PIB per capta, populações superiores a 48 milhões de habitantes, o futebol é o principal esporte do país, além de possuírem estruturas altamente profissionalizadas, com visão de negócio em sua grande maioria.

Brasil e México possuem situações similares. Ambos têm no futebol seu esporte favorito, grande número de habitantes, mas o PIB per capta pode ser um limitador para incremento da taxa de conversão. Além disso, diferentemente das cinco principais ligas europeias e dos Estados Unidos, o Brasil ainda carece de uma estrutura mais profissional, com visão de negócio. No quesito profissionalização os mexicanos aparentemente estão mais adiantados, tanto que possuem o dobro de conversão de cidadãos em torcedores que vão aos jogos.

Também os fatores como horário das partidas, conveniência, a performance das equipes, qualidade do estádio, o preço do ingresso, as condições climáticas, além do número de jogos e interesse dos campeonatos, podem estar impactando na conversão dos cidadãos brasileiros em torcedores que vão aos jogos. 

A Major League Soccer nos Estados Unidos está crescendo anualmente, conseguindo atrair mais torcedores e, mesmo dentro de um país que possui preferência esportiva mais dividida entre basquete, futebol americano, beisebol e hóquei, possui potencial de crescimento devido aos fatores econômicos, ao tamanho da população e ao modelo esportivo americano, com foco no entretenimento e relacionamento com os fãs.

A China passa por um grande investimento no futebol, tendo como meta ser uma potência no esporte até 2050 e possui grande potencial para se desenvolver como negócio. A taxa de conversão em torcedores possui um fator limitador devido aos seus 1,3 bilhões de habitantes. Provavelmente ficará em menores posições no ranking de conversão.

Como visto nessa análise, não é apenas devido à falta de visão de negócio, melhoria na gestão, falta de profissionalismo, governança e transparência que o futebol brasileiro poderá alterar o atual cenário em termos de conversão de cidadão em torcedores que vão aos jogos. Questões econômicas e sociais também possuem forte impacto nesses resultados.

Pesquisar é preciso para se chegar a conclusões científicas aprofundadas sobre o tema.

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