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Comportamento do Torcedor no Campeonato Brasileiro 2016





Após publicada as análises sobre os maiores sucessos de público e renda no Campeonato Brasileiro 2016, seguem os dados consolidados sobre outras variáveis para que os gestores da CBF e dos clubes possam adotar estratégias visando aumento de público nos estádios e arenas:

Jogos Final de Semana x Jogos Dia de Semana

Público Médio Final de Semana : 16.114
Público Médio Meio de Semana:  13.877

Renda Média Final de Semana: R$ 580.533
Renda Média Meio de Semana: R$ 467.712

Taxa de Ocupação Fim de Semana:  44%
Taxa de Ocupação Meio de Semana: 40%

Ticket Médio Final de Semana: R$ 28,45
Ticket Médio Meio de Semana: R$ 28,09

Os números demonstram que, no final de semana,  existiu um incremento de 16% de média de público, arrecadação 24% superior, 10% maior em taxa de ocupação com ticket médio similar em comparação aos jogos no meio de semana. Os números são levemente superiores a média geral do campeonato.

Como sugerido em 2015, nesse quesito, visando aumentar a média de público, o ideal seria diminuir o número de jogos do campeonato brasileiro no meio de semana, priorizando essas datas para as Copas Nacionais e Internacionais. Não é de se surpreender porque as principais ligas do mundo priorizam o final de semana para os jogos do campeonato nacional e as Copas para o meio da semana.

Em 2017 teremos apenas 9 datas no meio de semana devido as alterações no tempo de disputa da Libertadores da América. Esse fator talvez possa melhorar a média de público no próximo ano. Em 2016 houveram 11 rodadas no meio de semana. Nos jogos disputados no meio de semana, seria interessante trabalhar com preços de ingressos, promoções e entretenimento para aumentar o público.

Jogos Clássicos (Foram considerados clássicos apenas jogos de equipes da mesma cidade):

Público Médio Clássicos: 24.798
Público Médio Demais Jogos: 14.608

Renda Média Clássicos: R$ 1.107.400
Renda Média Demais Jogos: R$ 497.308

Taxa de Ocupação Clássicos: 62%
Taxa de Ocupação Demais Jogos: 41%

Ticket Médio Clássicos: R$ 39,53
Ticket Médio Demais Jogos: R$ 27,42 

Quebrando o senso comum onde se tem a percepção de que clássicos são jogos com maior probabilidade de violência entre as torcidas, que afastam os torcedores, na prática não é isso que se verifica.  Em todos os quesitos os jogos clássicos obtiveram números muito superiores: 70% em média de público, 123% em arrecadação, 51% em taxa de ocupação e 44% em ticket médio. Os números são muito superiores a média geral do campeonato mas deveria chegar próximo dos 100% de taxa de ocupação, pois são as maiores rivalidades do campeonato.

Esse incremento não foi devido a decisão de torcida única em São Paulo, pois, ao se comparar 2016 com 2015, em todos os quesitos 2015 teve maior média de público em clássicos do que 2016, comprovando que torcida única não aumentou a presença de público nos clássicos em São Paulo. 

No excelente livro "Show me the Money" o autor Esteve Calzada (ex diretor de marketing e vendas do Barcelona) menciona que em clássicos não se precisa fazer esforços para promoção, mas sim nos demais jogos. 

Clássicos Interestaduais (Foram considerados jogos entre os 12 maiores clubes do Brasil):

Público Médio Clássicos Interestaduais: 20.321
Público Médio Demais Jogos: 13.932

Renda Média Clássicos Interestaduais: R$ 830.618
Renda Média Demais Jogos: R$ 459.408

Taxa de Ocupação Clássicos Interestaduais: 50%
Taxa de Ocupação Demais Jogos: 40%

Ticket Médio Clássicos Interestaduais: R$ 36,66
Ticket Médio Demais Jogos: R$ 25,90

Mais uma vez os números demonstram que, em jogos entre as maiores marcas do Brasil, existiu um incremento de 46% de média de público, arrecadação 81% superior, 25% maior em taxa de ocupação com ticket médio 41% superior. Os números são bem superiores a média geral do campeonato, mas ainda abaixo do potencial de receita que os jogos entre as grandes marcas deveria gerar, devendo no mínimo atingir 70% de taxa de ocupação.

Jogos contra os 12 maiores times do Brasil


Público Médio contra 12 grandes: 10.516
Público Médio Demais Jogos: 7.980

Renda Média contra 12 grandes: R$ 242.050
Renda Média Demais Jogos: R$ 116.876

Taxa de Ocupação contra 12 grandes: 35%
Taxa de Ocupação Demais Jogos: 27%

Ticket Médio contra 12 grandes: R$ 21,39
Ticket Médio Demais Jogos: R$ 13,86

É possível verificar um incremento quando os demais times foram os mandantes contra um dos 12 principais times do Brasil. Quando esses times receberam as maiores marcas do Brasil, existiu um incremento de 32% de média de público, arrecadação 100% superior, 30% maior em taxa de ocupação com ticket médio  54% superior. Os números são inferiores a média geral do campeonato.


Os números são significativos quando se compara com os jogos entre os 9 times de menor torcida, mas a média dos jogos contra as maiores marcas do campeonato é inferior a média geral, demonstrando que existe um potencial de incremento a ser explorado e que atualmente os gestores desses clubes não estão sabendo trabalhar com eficácia.

Jogos em Arena x Jogos em Estádio

Público médio Arenas : 21.549

Publico médio Estádios: 10.453

Renda média Arenas: R$ 899.409
Renda média Estádios: R$ 259.318

Taxa de ocupação Arenas: 48%
Taxa de ocupação Estádios: 38%

Ticket médio Arenas: R$ 33,50
Ticket médio Estádios: R$ 22,62

OBS: foram consideradas Arenas as instalações esportivas reformadas e/ou construídos para a Copa do Mundo, além da Arena do Grêmio, o Allianz Parque e a Arena Independência.

Neste quesito foi possível verificar que as arenas atraíram praticamente mais do que o dobro em média de  público, faturaram duas vezes e meia a mais, conseguindo 26% maior taxa em ocupação que os estádios  e com o preço de ingresso 48% maior. O número de jogos disputados em arenas foi de 43%, demonstrando o potencial de arrecadação e atrações que podem ser explorados pelos gestores.

As novas arenas estão atraindo um novo público, além da curiosidade para conhecer os novos equipamentos por parte de uma fatia dos torcedores. Além disso essas instalações são mais confortáveis, possuem melhores serviços, gerando uma nova experiência ao assistir aos jogos mais próximos dos jogadores. Fatores que agregam mais valor ao produto, atraindo um novo tipo de público aos estádios. 


Ainda existem muitas melhorias a serem efetuadas, tanto externamente (ex: transporte público, estacionamento, acessos para dentro das arenas) bem como internamente ( ex: melhor qualidade e variedade de serviços de alimentação, quiosques com venda de produtos oficiais, restaurantes). 


Para as equipes que não possuem Arenas, vale a pena avaliar como efetuar melhorias nos serviços prestados visando aumentar o valor agregado do preço do ingresso, além de atrair outro tipo de público, que não tem o hábito de frequentar os estádios.

Equipes com melhor performance x equipes com pior performance

Público médio melhor performance : 22.953
Publico médio pior performance: 12.920

Renda média melhor performance: R$ 1.111.537
Renda média pior performance: R$ 359.187

Taxa de ocupação melhor performance: 62%
Taxa de ocupação pior performance: 36%

Ticket médio melhor performance: R$ 41,85
Ticket médio pior performance: R$ 23,95

OBS: foram considerados equipes com melhor performance as que estavam no G4 (G6 a partir do momento em que foi aumentado o número de participantes na Libertadores de 2017) , que tiverem sequencia de 3 vitórias ou 2 vitórias e 1 empate consecutivos.

Como esperado as equipes com melhor performance atraíram mais público, conseguindo maior arrecadação, tendo seus preços de ingressos mais caros e com taxa de ocupação superior às equipes com pior performance. 

Novamente vale a mesma sugestão dos outros quesitos pesquisados para as equipes com performance inferior: ações de preço, promoções, ações de entretenimento, jogos em horários mais atrativos para esse tipo de partida.

Esses dados são a prova do porque Palmeiras (Arena e Performance), Corinthians, Internacional e Cruzeiro (Arena), Flamengo (Performance) foram as maiores médias de público, renda, taxa de ocupação e ticket médio do Campeonato Brasileiro de 2016. 


Como conclusão foi possível detectar que em 2016 os clássicos, a performance e as novas arenas respectivamente, foram os fatores mais importantes para atrair mais público, arrecadação e taxa de ocupação aos jogos. O grande desafio dos gestores é saber trabalhar outras variáveis para conseguir aumentar os público nos seus respectivos estádios, independente da performance. 

Fatores como o plano sócio torcedor e as novas arenas podem estar influenciando de forma decisiva.Uma série de análises futuras deverão ser analisadas constantemente para se verificar quais são os fatores que mais impactam na decisão do torcedor.

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