Pular para o conteúdo principal

Campeonato Brasileiro 2016 : Análise dos maiores sucessos de público e renda



Terminado o Campeonato Brasileiro 2016, mais uma vez é hora de se fazer uma análise do desempenho dos clubes nos quesitos de público e renda. 

Como vários estudos efetuados comprovam, o torcedor brasileiro vai ao estádio quando o seu time está nas primeiras posições do campeonato de pontos corridos, mas também os estudos comprovam que outros motivos também impactam na média de público. Em 2016 outros fatores também impactaram para uma queda na média de público.

Dos 6 primeiros colocados na classificação final, apenas Palmeiras e Flamengo estão entre os seis primeiros em média de público. Fica claro que times com as maiores torcidas e que mandam jogos em maiores estádios ou arenas,  impactam diretamente na média de público total, pois mesmo não ficando entre os 6 primeiros, Corinthians, Internacional, São Paulo e Cruzeiro ficaram entre as maiores médias de público.

Flamengo e Corinthians tiveram queda significativa nas suas médias de público em comparação a 2015. Flamengo perdeu 5 mil pagantes/jogo e um dos fatores mais importantes foi não jogar no Maracanã em 75% dos jogos além da ridícula punição do STJD reduzindo em 20% a capacidade total em vários jogos. Caso mandasse todos os jogos no Maracanã e com a campanha efetuada, seria provável que a média fosse superior aos últimos anos.

Referente ao Corinthians, a queda da performance no campeonato foi o que mais impactou negativamente na média de publico. Uma queda de 6 mil pagantes/jogo além da também ridícula punição do STJD reduzindo em 20% a capacidade total em vários jogos. O ocorrido com o Corinthians é o clássico fato de queda de público de acordo com a queda de performance.

São Paulo (10%) e Internacional (30%) tiveram aumento na média de público em 2016 principalmente na reta final, onde ambos baixaram os preços dos ingressos para um ticket médio de R$ 13,00. Ambos os times tinham como apelo a fuga do rebaixamento e buscaram maior apoio da torcida nos jogos em casa. 

O Cruzeiro, como estava com performance baixa, também reduziu em 20% seu ticket médio, mas foi uma estratégia que trouxe resultados, pois conseguiu aumentar a média de público em 10% sobre 2015.

Desde 2012 não ocorria uma queda na média de público pagante. A média de público em 2016 foi de 14.994 pagantes/jogo, dentro da média história dos pontos corridos (15 mil pagantes/jogo). Em 2015 a média foi de 16.658 pagantes/jogo. O público total caiu de 6,230 milhões para 5,683 milhões em 2016, uma queda de 9%. A taxa de ocupação foi de 42%, quase igual ao ano passado, 43%. A taxa de ocupação está mais alta nos últimos 2 anos, principalmente devido a alguns clubes estarem explorando muito bem suas arenas (ex: Palmeiras e Corinthians) além de alguns clubes estarem utilizando estádios menores, obtendo maior ocupação (ex: Atlético Mineiro, Fluminense e Botafogo).

Referente a arredação total, o valor total atingiu R$ 200 milhões contra R$ 231 milhões em 2015, uma queda de 14%, fazendo com que o ticket médio também tivesse uma queda, saindo de R$ 28,37  para R$ 27,16 em 2016. 

A atual crise econômica em conjunto com a queda de performance de alguns times e a utilização de estádios menores pode ter influenciado nessa queda  geral, pois ir aos estádios não é um bem de primeira necessidade de qualquer família.

Vamos aos números mais detalhados. Os dados foram coletados do site da CBF.

Como em 2015, as 5 maiores rendas brutas do campeonato ficaram com Palmeiras, Corinthians e Flamengo, com destaque para o Palmeiras:

1) Palmeiras 1 x Chapecoense - R$ 4.171.317
2) Flamengo 2  x 2 Corinthians - R$ 3.203.205
3) Palmeiras 1 x 0 Botafogo - R$ 3.174.043
4) Palmeiras 0 x 1 Atlético Mineiro - R$ 2.935.305
5) Corinthians 1 x 1 Santos - R$ 2.847.299

Os clubes com maior média de renda bruta/ jogo são:

1) Palmeiras - R$ 2.232.764
2) Corinthians -  R$ 1.536.177
3) Flamengo -  R$ 1.414.786
4) Grêmio - R$ 730.430
5) Cruzeiro  - R$ 674.369

Entre os 5 maiores públicos pagantes, há um predomínio de São Paulo e Flamengo:

1) Flamengo  2 x 2 Corinthians- 58.060
2) São Paulo 2 x 2 Chapecoense - 54.996
3) Flamengo 1 x 2 Palmeiras  - 54.665
4) São Paulo 4 x 0 Corinthians - 53.781
5) São Paulo 2 x 0 Ponte Preta - 49.673

São Paulo teve sucesso de público quando reduziu seu ticket médio para R$ 13,00, nos jogos contra Corinthians e Ponte Preta.

Os clubes com maior média de público pagante/ jogo são praticamente os mesmos que possuem a maior média de arrecadação, com exceção do Internacional:

1) Palmeiras - 32.520
2) Corinthians - 28.820
3) Internacional - 25.421
4) Flamengo - 25.106
5) Cruzeiro - 24.135

Palmeiras, Flamengo e Corinthians tiveram punições do STJD que diminuiu em 20% a capacidade do estádio em alguns jogos como mandantes. As médias poderiam ser um pouco maiores nos 3 casos.

Houve um equilíbrio entre os times com as maiores taxas de ocupação, com o Palmeiras tendo 2 jogos no top 5:

1) Vitória 1 x 2 Palmeiras  - 99%
2) Corinthians 1 x 1 São Paulo - 94%
3) Palmeiras 1 x 0 Chapecoense - 94%
4) Flamengo 1 x 0 Internacional - 93%
5) Palmeiras 1 x 1 Santos - 92%

Os clubes com maior taxa de ocupação / jogo são:

1) Palmeiras - 81%
2) Corinthians - 67%
3) Atlético MG - 59%
4) Flamengo - 57%
5) Santos - 56%

Mais uma vez Palmeiras e Corinthians se destacaram, com médias de taxa de ocupação similares aos maiores campeonatos de futebol do mundo. Palmeiras aumentou sua taxa de ocupação de 70% em 2015 para 81% em 2016, provavelmente devido ao clube estar disputando o título desde a as primeiras rodadas. 

Atlético MG, Flamengo e Santos, por disputarem seus jogos em estádios com capacidade entre 17 e 23 mil torcedores, conseguiram ficar entre as maiores taxas de ocupação. 

Quando se avalia os maiores tickets médios é possível perceber que, com exceção do Palmeiras como mandante, Flamengo e Santos fazem parte da relação com os jogos que foram disputados nas arenas de Cuiabá, Natal e Vitória:

1) Flamengo 1 x 0 Internacional - R$ 92,50
2) Flamengo 1 x 2 Fluminense - R$ 85,36
3) Santos 0 x 0 Flamengo - R$ 82,79
4) Palmeiras 1 x 0 Botafogo -  R$ 79,93
5) Palmeiras 0 x 1 Atlético Mineiro - R$ 74,50

Os clubes com maior ticket médio/ jogo são:

1) Palmeiras - R$ 67,29
2) Flamengo - R$ 54,14
3) Corinthians - R$ 49,75
4) Santos - R$ 35,92
5) Fluminense  - R$ 32,24

O Palmeiras, devido estar disputando o título, aumentou o ticket médio em 12%. Flamengo também aumentou o ticket médio por estar jogando fora do Rio de Janeiro.

Palmeiras foi o campeão brasileiro dentro de campo e também fora de campo, com maior média de público, renda, taxa de ocupação e ticket médio. Fato similar ao ocorrido em 2015, onde o Corinthians também foi campeão fora de campo, com exceção do ticket médio, onde o Palmeiras foi o primeiro colocado.

Aos poucos alguns clubes brasileiros vão começando a entender o comportamento do seu torcedor no quesito comparecimento de público aos estádios,  e creio que é importante que os clubes busquem incrementar a porcentagem de faturamento com bilheteria. De acordo com o estudo do Itaú BBA referente ao ano de 2015, as receitas com bilheteria/ sócio torcedor estão aumento anualmente, correspondendo a 17% do faturamento total, mas existe um potencial a ser explorado já que em média 60% dos estádios está vazio.

Como pesquisador do comportamento do consumidor esportivo espero que esses inputs possam servir como tomada de decisão na precificação dos jogos e, no futuro, os dirigentes consigam perceber os potenciais de consumo nos estádios, alterando o status quo atual.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O verdadeiro 7 x 1 é fora de campo

Após a eliminação da Alemanha na fase grupos da Copa do Mundo de 2018 começaram a surgir vários questionamentos nas mídias sociais e na TV se a valorização do futebol alemão até agora seria válida ou não.
Quem tem uma visão resultadista provavelmente adorou a eliminação, criticou a exaltação da Alemanha dos últimos anos, mandou memes, cantou a versão do "Bela Tchau" para os alemães e até questionou se o que os tetracampeões fizeram em 2014 foi realmente merecedor ou apenas coincidência.
Par quem tem uma visão mais ampla de gestão e estratégia provavelmente não caiu no embalo da turma do oba oba e, pelo contrário, até lamentou a precoce eliminação alemã. Para entender a questão campo do resultado obtido pelos alemães em 2018, recomendo a excelente análise do Leonardo Miranda.
Referente a questão da gestão e da estratégia de como o produto futebol é gerido pela federação e pela liga alemã, o 7 x 1 fora de campo continuará imperando por muito tempo caso a visão resultadista e limi…

O consumo per capita das maiores torcidas do Brasil

Na semana passada efetuei uma análise sobre a efetividade das atuais gestões em converter a sua base em sócio torcedores, em bilheteria e sócios do clube social. Houve um ajuste na análise pois faltaram os dados de faturamento de bilheteria do Grêmio.

Pelo segundo ano consecutivo, efetuei um estudo visando calcular qual seria o consumo per capita dos torcedores das maiores torcidas do Brasil.

Os dados foram coletados do relatório no siteSports Value. O número de torcedores foi baseado na última pesquisa Datafolha de abril de 2018. Apesar do faturamento com bilheteria não constar no balanço de Corinthians, Grêmio e Fluminense, para não haver distorção na análise, foi considerado o faturamento bruto coletado no site globoesporte.com.
Na tabela abaixo podemos observar ranking de consumo per capita considerando como base o total de torcedores em todo o território nacional:




Nessa análise é possível verificar que, como no ranking anterior, o Botafogo é o grande destaque com faturamento de 42 mi…

O custo por ponto conquistado no Brasileirão 2017

Após a publicação sobre a eficácia dos times brasileiros referente a gestão dos custos do departamento de futebol e o desempenho no campeonato brasileiro, foi sugerido uma análise sobre o custo por cada ponto conquistado pelas equipes.
Foi considerado na análise os mesmos valores do post anterior, 8 meses da temporada. Segue abaixo a relação:

Pela tabela podemos observar que um custo abaixo de R$ 50 milhões (R$ 6,25  milhões/mês)  aumenta o risco de um time ser rebaixado, casos de Ponte Preta e Coritiba. Sport se livrou nas últimas rodadas, bem como o Vitória. 
Em 2016 vários times com R$ 5 milhões/mês conseguiram êxito, como a própria Ponte Preta, além do Vitória, Sport e Chapecoense. Provavelmente os custos com salários devem ter sido inflacionados em 2017, pois apenas três times tiveram gastos abaixo de 50 milhões. Em 2016 seis times tiveram orçamentos abaixo dos 50 milhões.
O mesmo se observa para os times que chegaram entre os seis primeiros colocados. Nenhum time gastou menos do que…