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Dois anos depois: muito além do Mineirão

Durante a semana saiu o ranking da Forbes mexicana sobre os times de futebol mais valiosos da América e no top 10 constam 5 times brasileiros (Corinthians, Grêmio, Palmeiras, Internacional e São Paulo). Independente dos critérios utilizados para a confecção do ranking, o que chama a atenção é sobre o potencial inexplorado pelos times brasileiros.

O gráfico abaixo demonstra que Campeonato Brasileiro de Futebol é considerado a sexta liga de futebol mais valiosa do mundo de acordo com o site howmuch.net, ficando atrás apenas das 5 principais ligas de futebol do mundo (Premiere League, Bundesliga, La Liga, Serie A Italiana e League 1 Francesa).



Portanto, independente dos valores e critérios, não se pode desprezar o peso do Campeonato Brasileiro e dos times que o disputam quando se compara os valores envolvidos.

No programa Bate Bola da ESPN Brasil do dia 8/11, o Fernando Fleury, meu professor do mestrado em Gestão do Esporte, questiona os critérios e qual a relevância desse ranking para o mercado. Mas além desses questionamentos, um ponto relevante da discussão é quanto a liga gera de valor para todos os envolvidos no sistema (torcedores, patrocinadores, mídia, gestores, confederação entre outros). 

Conforme mencionado por ele,  o campeonato é parte fundamental para gerar valor para todos os envolvidos. Um campeonato é disputados pelos times, que são os que geram valor nos jogos que disputam, aumentando as rivalidades, gerando dramaticidade nas disputas. Essas disputas e rivalidades são o que atraem mais torcedores para os estádios, além de atrair novos torcedores. Estudos comprovam que rivalidades e incertezas no resultados atraem público aos estádios. 

Outros autores mencionam que o campeonato deve gerar dramatização da realidade, como se fosse um história com início, meio e fim. Dessa forma é possível se conectar de forma mais eficaz com os torcedores. No excelente livro Marketing Esportivo - A reinvenção do esporte na busca de torcedores, Rein, Kotler e Shields mencionam:

" A integração da estrutura romanceada a fim de emoldurar fatos do dia a dia proporciona aos fãs um contexto emocional a partir do qual tenham condições de entender, interpretar e se identificar com o esporte/campeonato. A implementação da dramatização da realidade é vital para atrair o interesse dos torcedores".

Segundo mencionado pelo Fernando Fleury, para gerar valor é fundamental as disputas que ocorrem nos campeonatos. Essas disputas atraem mais torcedores. Os autores citados acima confirmam esses fatos, mas, para que os resultados sejam eficazes, é necessário competência na gestão. E esse é o ponto chave que ainda vemos em grande parte dos times brasileiros, a ineficiência na gestão. Um dos resultados práticos dessa incapacidade na gestão é a média de público quando comparamos a média de público do Campeonato Brasileiro com outras ligas de futebol importantes:

1)Alemanha: 3.779.498 em 100 jogos (41.994/jogo)
2) Inglaterra: 3.910.499 em 110 jogos (35.549/jogo)
3) Espanha: 3.100.949 em 110 jogos (28.190/jogo)
4) México: 8.601.146 em 330 jogos (27.656 jogo)
5) EUA: 7.375.285 em 340 jogos (21.692/jogo)
6) Itália: 2.532.856 em 120 jogos (21.107/jogo)
7) França: 2.444.961 em 120 jogos (20.545/jogo)
8) Segunda Divisão Inglaterra: 3.757.397 em 160 jogos (19.672/jogo)
9) Holanda: 1.999.977 em 120 jogos (18.518/jogo)
10) Brasil: 5.066.500 em 340 jogos (14.901/jogo)
fonte: espnfc.com
Um país que ainda repete o mantra que é  O país do Futebol" não poderia aceitar estar apenas em décimo lugar em média de público, apesar de ser a sexta liga de futebol mais valiosa do mundo. As pesquisas mostram que os times brasileiros possuem milhões de pessoas que se declaram de torcedores dos seus respectivos times, mas por que os clubes não conseguem potencializar seus negócios?
Mais uma vez a resposta é fácil: falta de competência na gestão.
Já estamos vendo vendo as grandes marcas globais atuando por aqui e parece que ninguém faz nada. Agora a La Liga está buscando profissionais em vários continentes visando fortalecer a marca em nível global. 
O mercado é globalizado, vender o produto para fora das fronteiras é fundamental, mas, dentre tantos temas a serem discutidos, no Brasil ainda se desperdiça 3 meses do ano jogando deficitários e nada atrativos campeonatos estaduais, não tendo espaço no calendário para os times jogarem contra grandes times do mundo nos rentáveis torneios de verão que ocorrem durante a pré temporada europeia. Também não se discute se a atual fórmula de disputa do campeonato é o que gera mais dramaticidade e atratividade para os torcedores, principalmente para os mais jovens.
Além disso, não se vê um debate sobre o papel e responsabilidade da CBF, das Federações e dos clubes para o desenvolvimento do futebol, na melhoria dos campeonatos, na qualidade técnica dos jogos, na formação profissional dos jogadores, no fomento do esporte entre outros temas. 
Como há falta de gestão competente, existe a percepção de que se busca manter tudo como está para benefício dos que estão no comando do futebol brasileiro há décadas. 
Até quando essa situação irá permanecer?
Aguardemos os próximos anos para ver quem irá ganhar essa disputa, os conservadores que lutam com unhas e dentes para permanecerem poder ou os progressistas que a cada ano aumentam mais. 








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