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Autoridades Incompententes



No post de 15/04/16 no Lance!, o consultor Amir Somoggi divulgou o valor dos maiores contratos de TV  das principais ligas esportivas do mundo. Nesse ranking é possível detectar a predominância do futebol, com 6 ligas. Além delas, temos as 4 principais ligas americanas (NFL, NBA, MLB, NHL) além da NCAA, a liga que organiza as grandes disputas universitárias americanas.

Quando fiz o curso de Gestão do Esporte nos Estados Unidos, fomos informados que após a NFL, a segunda maior audiência na TV americana é da liga de futebol americano universitário, sem falar do fabuloso March Madness, que mobiliza os Estados Unidos para acompanhar as finais dos basquete universitário.

Quando se gerencia uma liga com visão mercadológica, a geração de valor e os enormes potenciais de exploração são otimizados ao máximo. Esse fato pode ser comprovado com os valores do novo contrato de TV da Premiere League, transformando-se no segundo maior contrato de TV das principais ligas esportivas do mundo.

A consequência desse valor gerado pela Premiere Legue é que, pelo segundo ano consecutivo, os clubes ingleses conseguiram terminar a temporada com lucro após 13 anos de prejuízos até a temporada 2012/2013. Após o novo acordo com a TV válido a partir da próxima temporada, os especialistas consideram que a lucratividade dos clubes ingleses será sustentável, e mesmo com um aumento dos gastos com salário de jogadores, 60% das receitas são utilizadas para esse quesito, abaixo dos 70% determinados pelo Fair Play Financeira da UEFA.

A NBA, empatada com a Premiere League em segundo lugar em termos de contrato de TV, também consegue gerar mais receitas e valor para todos os stakeholders, com uma média de público acima de 17.864 torcedores/jogo, acima da média do Campeonato Brasileiro de 2015, além de recordes de audiência pela TV com mais de 1 bilhão de seguidores nas redes sociais.

O sucesso da Premiere League começa a causar preocupações na Espanha, onde o presidente da Liga Espanhola está buscando formas de aumentar receitas visando manter a atratividade da Liga além de evitar a saída de jogadores para a Inglaterra, além de não conseguir atrair talentos para a Espanha. Esse movimento demonstra a preocupação dos gestores da Liga com seu produto.

Esse movimento da Premiere League também causa preocupações na Liga Francesa e Italiana, que, apesar de fazerem parte dos 11 maiores contratos de TV entre as ligas esportivas, também estão procurando se movimentar para agregar valor ao seu produto e aumentar as receitas visando evitar uma hegemonia da Premiere League.

Como é possível de se notar, quem se preocupa com a geração de valor do seu produto (Campeonato) está atento aos movimentos do mercado global e também pensa em soluções que possam no mínimo manter o valor da sua liga.

Novos players como a China, divulgou um projeto para tornar-se uma potência no futebol até 2050, com a construção de 70 mil campos de futebol em 5 anos e ter 1 campo para cada 10 mil chineses em 2030, visando ter em 5 anos cerca de 50 milhões de praticantes entre adultos e crianças.

Segundo um membro do governo chinês: “A indústria do futebol é brilhante e verde, joga um papel importante na transformação do sistema e promove o desenvolvimento”, deixando claro o uso do esporte para o avanço econômico do país, além da constituição de uma indústria nacional de material esportivo, capaz de desenvolver inovações tecnológicas para beneficiar o desempenho esportivo nos gramados.

Como pesquisador, gestor e consumidor do produto futebol brasileiro, esses fatos geram  um enorme incômodo devido a inércia que impera nos dirigentes de clubes de futebol no Brasil, que nunca tiveram uma oportunidade tão grande de conseguirem tomar a frente na condução dos seus interesses econômicos e mercadológicos, aproveitando o hiato de poder na CBF, pois não estão fazendo movimentação significativa. 

Já passou da hora dos presidentes dos clubes de futebol, torcedores, mídia, estudiosos do esporte se movimentarem para propor ideias, sugestões, propostas para mudar o atual cenário do futebol brasileiro, que vive a parte dos movimentos das grandes ligas esportivas mundiais, mas com um enorme potencial que pode ser explorado para se transformar em uma das ligas esportivas de maior valor no cenário mundial.

O que estamos presenciando é o Comitê de Reformas propondo um calendário com 80 datas!!!!. Fazendo com que o Luis Filipe Chateaubriand, um dos maiores especialistas no tema, decidisse por não fazer mais parte do Comitê por não concordar com o andamento das propostas.

Vamos ficar assistindo a morte do futebol brasileiro em nível mundial paralisados como os presidentes dos clubes de futebol brasileiro ou vamos ter que fazer movimentos como os que estão sacudindo o país contra a corrupção que impera no país? 

Será que todos estão anestesiados vendo o sonho acabar e nunca mais vermos o que presenciamos diariamente nos campos de futebol brasileiro até os anos 90?

Não podemos mais aceitar a situação atual, com estaduais modorrentos, times falidos, jogo de acordos para manter a situação de poder atual, falta de profissionalismo na gestão, TV com poder maior do que realmente deve ter, baixo nível técnico dos jogos, torneios sem atratividade para quem vai ao estádio ou quem assiste pela TV, estádios recém construídos ou reformados para a Copa de 2014 se deteriorando, falta de visão de mercado, etc.

A Universidade do Futebol está elaborando um plano diretor para o futebol brasileiro , onde vários especialistas se envolveram no projeto, acreditando que existem várias pessoas competentes para executar esse projeto em nível macro e micro.

Como a Operação Lava Jato está abalando as estruturas políticas no Brasil, está na hora de passar a limpo a gestão esportiva no país e varrer para fora do poder quem só pensa no atraso e em manter a situação atual inalterada. Chega de autoridades incompetentes que só pensam em si pois estamos desperdiçando uma enorme oportunidade de geração de receitas, empregos e entretenimento no esporte brasileiro caso seja criado um grande projeto visando desenvolver uma grande indústria do esporte no Brasil.

Para finalizar, como um pequeno sentimento que representa não só o atual momento político do Brasil como também a gestão esportiva no país, compartilho uma música do Capital Inicial nos anos 80 e que, infelizmente, ainda é atual dentro do nosso país.

Autoridades incompetentes 

Acham que vocês não passam de fantoches 

Bonecos para brincar 
Bonecos para brincar 
Autoridades incompetentes 
Sabem que vocês estão em fila 
A fila não incomoda 
A fila não incomoda 
A fila não incomoda


Vamos limpar o Brasil das autoridades incompetentes!!!









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