Pular para o conteúdo principal

Planejamento e Avaliação de Performance



Normalmente o torcedor começa acompanhando o Campeonato Brasileiro da mesma forma que os dirigentes em geral o tratam, de uma forma morna, como um clima de ressaca pós finais dos estaduais, devido a falta de promoção e cuidado em tratar o maior campeonato do país do jeito que deveria ser. 

Em geral os dirigentes dos clubes  também o tratam da mesma forma, como os clubes ainda procurando reforços, outros focando na Libertadores, com um discurso geral de que o campeonato é longo, tem muitos jogos pela frente, etc. A imprensa parece que também vai na mesma linha, ao invés de questionar por que os elencos e equipes não estão montadas adequadamente para ter uma boa performance desde as primeiras rodadas, o que repercute na forma como o torcedor também encara as primeiras rodadas do torneio.

Com times ainda em formação, com jogadores machucados, outros com foco na Libertadores ou com times mistos, além da falta de grandes atrações e os clubes aguardando mais reforços, o público nos estádios e a audiência em geral são muito menores do que deveriam ser para um torneio tão importante como o campeonato brasileiro.

Caso eu fosse o gestor de um time que está disputando um campeonato de pontos corridos com 38 rodadas, de acordo com os recursos disponíveis e dentro de uma responsabilidade financeira, seria traçado um cenário visando montar uma elenco desde o início da temporada já com uma meta pré estabelecida para o campeonato nacional, e só traria posteriormente reforços pontuais em posições necessárias para montar o elenco. Essa meta  curto prazo faria parte de uma estratégia de médio e longo prazo, de acordo com a visão e missão da organização esportiva.

Com o elenco montado de acordo com as metas estabelecidas, não iria para o discurso comum mencionado acima e desde a primeira rodada o meu time iria focado nos melhores resultados possíveis, pois a maioria dos clubes seguem falhando nesse planejamento, e buscaria posicionar minha equipe dentro da meta ou até acima visando vôos maiores ou ter uma gordura para queimar nos momentos de oscilação durante o campeonato.

Baseado nessas observações convido o torcedor a fazer juntamente comigo um acompanhamento desde a primeira rodada da performance do seu time, para buscar uma avaliação mais consciente possível da performance x expectativa esperada.

Para esse exercício sugiro a seguinte segmentação de forças baseado no elenco e performance atual e potencial. Questões financeiras e de arrecadação não serão consideradas, pois alguns clubes mesmo com situação financeira complicada foram campeões estaduais ou estão/ estavam disputando a Copa Liberadores da América até a semana passada:

Categoria A -  equipes que se classificaram para a Liberadores 2015, mantiveram e/ou reforçaram seus elencos, estão com rendimento superior a média dos 20 clubes da Séria A:
Internacional, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Corinthians.

Categoria B - equipes com boa performance nos estaduais 2015, reforçaram seus elencos, equipes que se classificaram para a Libertadores 2015 mas tiveram queda de rendimento em 2015:
Grêmio, Palmeiras, Santos, São Paulo, Flamengo, Vasco

Categoria C - demais equipes que disputam o torneio e que a princípio devem ser coadjuvantes ou brigar para não serem rebaixadas no final do ano:
Fluminense, Avaí, Figueirense, Criciúma, Joinville, Chapecoense, Ponte Preta, Goiás, Sport, Atlético Paranaense e Coritiba.

Baseado nas 3 categorias sugiro o seguinte aproveitamento de pontos:

Categoria A x Categoria A - 50% de aproveitamento ( 9 pontos)
Categoria A x Categoria B - 75% de aproveitamento (27 pontos)
Categoria A x Categoria C - 75% de aproveitamento (50 pontos)
Categoria B x Categoria A - 25% de aproveitamento (6 pontos)
Categoria B x Categoria B - 50% de aproveitamento ( 15 pontos)
Categoria B x Categoria C - 75% de aproveitamento ( 50 pontos)
Categoria C x Categoria A - 25% de aproveitamento ( 6 pontos)
Categoria C x Categoria B - 25% de aproveitamento ( 9 pontos)
Categoria C x Categoria C - 50% de aproveitamento ( 33 pontos)

Se as equipes da categoria A atingirem as metas todas estariam classificadas para a Libertadores 2015, mas sabemos que muito provavelmente não deveremos ter essa performance no final das 38 rodadas. Conforme escrito no último post, o aproveitamento para ser campeão, atingir o G4 e não ser rebaixado vai depender basicamente de como as equipes das 3 categorias vão conseguir de performance de acordo com a sugestão acima.

Fica claro que para quem quer buscar o título e o G4 o aproveitamento sobre os times da categoria C são fundamentais, e quem não fizer 50 pontos sobre os times dessa categoria vai ter dificuldades em buscar uma boa classificação no final do torneio. Além disso o primeiro turno é fundamental para uma melhor posição final na tabela, pois nos últimos torneios quem terminou o primeiro turno no G4 ou no Z4 permanece na mesma zona de classificação em 75% das vezes, devido ao aproveitamento de pontos geralmente é maior no primeiro do que no segundo turno.

Após 10 rodadas pretendo fazer uma primeira avaliação da performance e cruzar com a meta estipulada e, ao final do primeiro turno, já com as equipes segmentadas, talvez seja necessário alterar a classificação dos times em suas respectivas categorias para evitar distorções.

O que pretendo com essa proposta é que o torcedor, tirando o seu lado emocional, compreenda que muitas vezes um empate em casa, dependendo da categoria do adversário, não é um mal resultado, desde que o clube esteja pontuando dentro do previsto nas demais categorias, bem como um empate fora de casa não deveria ser tão comemorado, dentro da mesma linha de raciocínio.

É óbvio que na prática teremos algumas distorções no modelo proposto, mas o que gostaria de salientar é que, principalmente como gestor, mas também como um torcedor consciente, proponho que fiquemos atentos aos discursos comuns de todo início de campeonato e que no final, provavelmente iremos constatar que muitos clubes perderão oportunidades de melhores resultados exatamente por que não foi feito esse planejamento no início do ano e desta forma poderemos avaliar a gestão da performance da equipe de uma forma mais consciente e mensurável.







Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Dono e os Chefs

Após sete mudanças de treinadores em apenas quatro rodadas do Campeonato Brasileiro da Série A, vários colunistas estão criticando o que já é recorrente na gestão do clubes brasileiros, a troca de treinadores por maus resultados ou expectativas não alcançadas.
Para tentar ilustrar de uma forma mais lúdica as consequências deste comportamento inaceitável dos gestores esportivos, convido o leitor a ler a seguinte historia:
O Dono e os Chefs
Uma churrascaria acaba de trocar de dono no início de dezembro e, como o negócio não ia bem, o dono resolveu trocar de churrasqueiro, pois os clientes estavam reclamando da qualidade da comida, tanto que as vendas estavam baixas recentemente.
O novo mestre churrasqueiro, juntamente com o dono, estavam com várias ideias e decidiram aumentar a variedade de carnes no cardápio. No começo do ano a curiosidade dos clientes fez com que aumentassem as vendas mas,  após 3 meses, os clientes já perceberam que a qualidade e a expectativa com o novo churrasqueiro fi…

Os fatores que impactam na percepção de valor dos torcedores parte 2 : Precificação

Na semana passada iniciei uma série de posts referentes aos fatores que impactam na percepção de valor dos torcedores. O próximo fator que gostaria de compartilhar com vocês é a precificação dos ingressos.
Como ponto de partida dessa análise, vamos avaliar o comportamento do torcedor do São Paulo em alguns jogos no Morumbi:
23/03/2016 – Campeonato Paulista São Paulo 1 x 0 Botafogo de Ribeirão Preto Dia da semana: quarta feira Horário: 21:45h Público Pagante: 3.118 Renda Bruta: R$ 123.026 Ticket Médio: R$ 39,49
06/07/2016 – Copa Libertadores da América São Paulo 1 x 2 Atlético Nacional (semi final) Dia da semana: quarta feira Horário: 21:45h Público Pagante: 61.766 Renda Bruta: R$ 7.526.480 Ticket Médio: R$ 121,85
22/10/2016 – Campeonato Brasileiro São Paulo 2 x 0 Ponte Preta Dia da semana: sábado Horário: 17:00h Público Pagante: 49.673 Renda Bruta: R$ 600.541 Ticket Médio: R$ 12,09
12/02/2016 – Campeonato Paulista São Paulo 5 x 2 Ponte Preta Dia da semana: domingo Horário: 17:00h Público Pagante: 50.952 Renda Br…

Os Alienistas

Tudo começou em 1995, na final da Supercopa São Paulo de Juniores. Após o gol de ouro que deu o título ao Palmeiras, os palmeirenses invadiram o gramado para comemorar e foram provocar os são paulinos, que, aproveitando a pouca presença de policiais, invadiram o gramado, transformando o campo de jogo na primeira batalha campal entre torcidas organizadas transmitidas ao vivo pela TV. 
As consequências foram a morte do garoto Márcio Gasparin, a condenação de Adalberto Benedito do Santos e, pela primeira vez, as organizadas Mancha Verde e Independente foram extintas pelo promotor público Fernando Capez, que comentou na época: “Era necessário um tratamento de choque.”
Como na belíssima obra O Alienista, de Machado de Assis, a partir dessa época começou a batalha dos Alienistas contra a festa popular nas arquibancadas do Brasil. Depois dessa medida, as bandeiras, instrumentos, faixas, papéis picados, rojões, fogos de artifício, sinalizadores foram proibidos, além de não poder vender cerveja.…