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Os números do Primeiro Turno do Campeonato Brasileiro - Parte 2



Durante a semana recebi o relatório consolidado dos dados estatísticos do primeiro turno do Campeonato Brasileiro e, para consolidar os números, vamos comparar os clubes que estão no G4 e os clubes que estão no Z4 para avaliarmos as principais diferenças:

Os times que estão no G4:

- fazem mais gols de jogada construída
- fazem mais gols até os 15 minutos de jogo 
- fazem mais gols após os 35 minutos do segundo tempo
- têm média acima de 50% de posse de bola/partida
- têm maior média de chute a gol/partida
- têm em média 83% de passes certos/partida
- têm médias menores divididas ganhas/partida

Os times que estão no Z4 :

- fazem mais gols de bola parada
- fazem menos gols até os 15 minutos de jogo 
- fazem menos gols após os 35 minutos do segundo tempo
- têm média abaixo de 50% de posse de bola/partida
- têm menor média de chute a gol/partida
- têm em média 79% de passes certos/ partida
- tem médias maiores de divididas ganhas/partida

A seleção do primeiro turno, baseado nos dados estatísticos, é a seguinte :

Marcelo Grohe (GRE); Fagner (COR), Gil (COR), Dedé (CRU) e  Fabrício (INT); Ralf (COR) e Willians (INT); Ewerton Ribeiro (CRU), Ganso (SAO) e Wagner (FLU); Marcelo Moreno (CRU).

* Fonte: Instat Football

Os números mostram que os times melhores classificados possuem maior performance em quesitos que exigem maior qualidade técnica, precisão e intensidade de jogo do que os que estão na parte de baixo da tabela. 

Como consequência a seleção dos melhores jogadores em termos estatísticos demonstram que os jogadores que possuem melhor performance em suas posições são dos time que estão melhores classificados na tabela.

Referente ao público e renda, vamos aos números consolidados do primeiro turno:

Média de Renda: R$ 462 mil/jogo
Média de Público Pagante: 15.384/jogo
Média de Taxa de Ocupação ( Público Pagante): 37%
Média de Ticket Médio: R$ 27,78

Melhores Renda:

1) Corinthians : R$ 19 milhões (R$ 1.9 milhões / jogo)
2) Flamengo: R$ 9 milhões (R$ 900 mil / jogo)
3) Internacional : R$ 8 milhões (R$ 800 mil / jogo)

Melhores Públicos Pagantes:

1) Corinthians: 296 mil (29.6 mil/ jogo)
2) São Paulo: 295 mil ( 29.5 mil/jogo)
3) Flamengo: 244 mil ( 24 mil/jogo)

Melhor Taxa de Ocupação:

1) Corinthians 72%
2) Criciúma 55%
3) São Paulo 49%

Melhor Ticket Médio:

1) Corinthians : R$ 60,14
2) Atlético PR : R$ 44,29
3) Palmeiras : R$ 36,98

Os dados demonstram que houve uma melhoria após a Copa do Mundo. Essa melhoria pode ter vários fatores como o efeito pós Copa, melhores jogos e alguns clubes como Flamengo reduzindo valor do ingresso. 

A taxa de ocupação continua sendo um grande desafio, pois ainda temos em média 67% de ociosidade nos estádios. Os fatores que influenciam nesses dados precisam ser avaliados com maior profundidade.

O grande destaque nesse quesito é o Corinthians, líder em todos os quesitos, principalmente no faturamento bruto total, com um valor que é a soma do segundo e terceiro melhores times. Até o momento estão aproveitando muito bem o seu novo estádio, mas temos que avaliar se essa situação é sustentável a médio e longo prazo. 

Diferentemente do Corinthians, São Paulo e Flamengo são respectivamente o segundo e terceiro em público devido a estratégia de preços baixos, tanto que nem aparecem entre os três melhores em termos de ticket médio. Essa estratégia de preços baixos também precisa ser melhor avaliada em termos de sustentabilidade em curto e médio prazo.

Os dados comprovam que performance técnica e financeira estão muito ligados, e é um quesito fundamental para gerar e aumentar receitas em níveis sustentáveis. O risco de equipes que adotam uma postura mais cautelosa em termos de gastos com contratação e salário de jogadores é louvável em curto prazo, mas se não houver a perspectiva de aumento de receitas para atrair melhores jogadores, corre-se um grande risco de que a diferença em termos de faturamento e performance técnica aumente de uma forma que pode não ser possível recuperar a diferença nos próximos anos.

Em um cenário em que o negócio futebol exige altos investimentos financeiros, para se obter melhores resultados técnicos as estratégias dos clubes brasileiros precisam ser muito bem avaliadas pensando em termos de protagonismo e aumento de receitas em médio e longo prazo.






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