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Sobre os Ombros do Gigante





Sábado dia 16/08/2014

Após uma semana fazendo o módulo internacional do Mestrado em Gestão do Esporte na UMASS, uma das mais reconhecidas universidades americanas em negócios do esporte, fui conhecer a Universidade de Harvard.

Como de costume em viagens internacionais, estava com meu sagrado manto verde e branco e, de repente, escuto uma garota gritando com um sotaque estrangeiro:

- Palmeiras! Palmeiras!

Logo ela se aproximou de mim falando que o Palmeiras é o time que toda a família dela torcia no Brasil.

A garota e sua família são da Ucrânia.

Imediatamente me emocionei com aquelas palavras e comentei com ela sobre o nosso centenário e quanto fiquei feliz com aquela demonstração de amor pelo nosso Palmeiras.

Caminhando pelo campus da Harvard Square fiquei meditando sobre aquele momento e sobre esse presente que ganhei e refleti sobre quanto o Palmeiras é Gigante. Ao mesmo tempo fiquei lamentando sobre o atual momento, quanto nos apequenamos em termos de mentalidade e em relação ao tamanho da nossa vitoriosa história.

Sábado dia 23/08/2014

Durante a aula de Metodologia de Pesquisa, nosso Professor Doutor Julio Cunha, ao falar sobre as ferramentas de pesquisa, colocou em sua apresentação a seguinte frase:

" Se eu vi mais longe, foi por estar em pé sobre os ombros de gigantes"
Sir Isaac Newton, 1676 -  referindo-se humildemente aos seus colegas de ciência Kepler e Galileu. 

Essa frase visceralmente reverberou dentro do meu ser e instantaneamente um turbilhão de sentimentos surgiram, dentre eles o atual momento do nosso amado clube, que nessa semana completa seu centenário.

O Palmeiras é um gigante que sempre teve como referências grandes líderes, que comandaram nosso clube em momentos de dificuldades e de glórias.

Como não deixar de reverenciar a Luiz Cervo, que junto com os sonhadores e visionários fundaram a Societá Palestra Itália há 100 anos?

Sobre os ombros desse gigante, outros gigantes tiveram papel fundamental:

- Conde Eduardo Matarazzo
- Italo Adami
- João Minervino 
- Enrico De Martino
- Ferrúcio Sandoli
- Paschoal Giuliano
- Delfino Facchina 

Esses grandes presidentes também ficaram em pé e enxergando mais longe, transformaram o Palmeiras em um time de vanguarda em todos os sentidos, e o clube foi o campeão do século XX.

São de homens e ideais como desses ilustres senhores que o Palestra e o Palmeiras construíram sua história de lutas e de glórias, tornando-se um gigante do futebol mundial.

Carlos Facchina e Beluzzo não se comparam aos gigantes acima citados, mas tiveram visão suficiente para reconhecerem suas limitações e trouxeram mais uma revolução no futebol brasileiro. Como gestores, tiveram mais erros do que acertos, mas com relação à parceria com a Parmalat e à Arena, seus nomes também estarão para sempre na história do Palmeiras.

O que estamos passando nos momentos atuais é um reflexo do que se iniciou após a "gestão" Bruno Sacomani em 1977, que deixou uma verdadeira herança maldita que até os dias de hoje sobrevoa como alma penada as alamedas do Palmeiras.

Conforme mencionado pelo amigo e Historiador do Palmeiras, Jota Christianini, a palavra que mais resume a história do nosso clube é a OUSADIA. Para subir no ombro dos gigantes, coragem e ousadia são fundamentais.

Infelizmente no momento atual, bichos rasteiros e peçonhentos lutam para permanecer no poder, mesmo cegos de visão e vazios de alma, impedindo novos líderes de subirem até o ombro do gigante e levá-lo adiante.

A atual gestão, que por mim e por vários foi percebida como uma esperança de mudança, está pagando caro por se curvar aos bichos escrotos que rastejam nos troncos do gigante e não tiveram força para reverter o quadro atual, mesmo com boas iniciativas.

Eu mesmo fui vítima de ações rasteiras de pessoas que só pensam no poder pelo poder, com inverdades e mentiras que fizeram me afastar politicamente do clube.

O gigante está sem ninguém com coragem e ousadia para ficar de pé em seus ombros, visando levá-lo além dos demais, os que estão ao seu redor são anões, que mal conseguem se equilibrar no ombro do gigante.

São de pessoas com coragem para romper com esses anões e seres peçonhentos que o gigante precisa, mas que o estatuto atual não permite, e que a atual gestão até o momento não conseguiu alterar, o que nos leva cada vez mais a nos apequenar.

Que esse triste aniversário do centenário sirva de reflexão para todos os que fazem parte da política do clube sobre o quê de fato podem fazer para colocar pessoas de coragem no poder, visando romper com tudo que há de errado e preparar o terreno para que tenhamos homens competentes e de coragem para ficar em pé sobre os ombros do gigante.

Espero que em 2114, nossos herdeiros possam ter novos gigantes para se espelhar e levar nosso amado clube adiante, com seu DNA de vanguarda e ousadia.

Aos anões que atualmente frequentam e dominam a política do Palmeiras, larguem o osso e deixem o Palmeiras para os verdadeiros Palmeirenses.

Parabéns Palmeiras, eu sempre te amarei e te apoiarei!!








Comentários

  1. Marcelo,
    Não sou conhecedor como você da política e dos meandros do clube. De fora, o que posso contar é que sinto que a coisa não é boa... como que quando estamos com dor de cabeça (sintoma) mas não temos clareza do real motivo. Como que quando sentimos o cheiro, mas não sabemos onde vaza o esgoto.

    Vejo, de fora, que existe uma vontade imensa de aparecer, de ter seu ego satisfeito às custas de uma paixão.

    A questão é que não é por uma paixão individual, mas uma paixão que é compartulhada por muitos, e aí é complexo.

    Só espero que haja renovação e não reposição...

    Sábado ao entrar no estádio, como sempre, me emocionei... Sábado quando nosso Palmeiras ganhou chorei com tanta coisa engasgada que temos escutado.
    Chorei com o abraço de meu filho que junto comigo conheceu naquela vitória sofrida a qualidade de ser Palmeirense e gritar e empurrar um time fraco, mas um time que veste uma camisa verde linda que tem tanto significado.

    Legal o seu texto... um abraço e, amanhã, feliz aniversário.

    Que a gente possa poder comemorar também o presente. O passado, sabemos que é lindo.

    Marcos Cesar Polifemi

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