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Questão de Estilo




Estamos chegando na última semana da melhor Copa do Mundo do século XXI. Com certeza essa Copa vai deixar saudades e deve ficar como refêrencia para as próximas gerações.

Mesmo antes dos 4 jogos decisivos dessa semana, considero que a Copa do Mundo do Brasil 2014 está entre as melhores que já tivemos.

Na minha opinião o Top 5 das melhores Copas são:

1)  México 1970 
2) Espanha 1982
3) Suécia 1958
4) Suíça 1954 
5) Brasil 2014


A Copa de 2014 é a que teve o maior número de jogos emocionantes da história, jogos equilibrados e que os eliminados venderam muito caro as derrotas, sem contar que, com exceção ao jogo Colômbia 2 x 0 Uruguai e França 2 x 0 Nigéria, os demais 10 jogos eliminatórios tiveram emoções até o último segundo do jogo.

A média de gols, que estava em quase 3 gols/partida até a primeira fase, caiu para 2,65 gols/partida após as quartas de final. Já foram marcados 159 gols durante toda a Copa e com mais 10 gols nos próximos 4 jogos  chegaremos próximo aos 171 gols da Copa de 1998, torneio com 32 seleções com mais gols até o momento.

Considerei como parâmetro para definir as melhores Copas a média de gols, a qualidade dos jogos, das seleções e a performance dos melhores jogadores. Alemanha 1974 e México 1986 viriam logo a seguir no meu ranking das melhores Copas.

Estamos chegando ao momento em que os grandes jogadores e as seleções que melhor atuarem como equipe devem conseguir passar para a final. A sorte pode definir o jogo, como a bola na trave de Pinilla contra o Brasil nas oitavas favoreceu à nossa seleção, mas não será suficiente para dar o título. Portanto, sorte e técnica terão que andar juntas para qualquer seleção que deverá ganhar o título mundial.

Como preví antes do início da Copa, os quatro semi finalistas seriam os dois melhores ataques, a melhor defesa e uma seleção com campanha irregular mas que poderia avançar aproveitando as chances melhor do que seu adversário e/ou devido a um cruzamento menos difícil.

Com os quatro semi finalistas definidos, as seleções se encaixam da seguinte forma nas minhas projeções:

Alemanha - Segundo melhor ataque (10 gols) e Melhor defesa (3 gols)
Argentina - Melhor defesa (3 gols)
Brasil - Segundo melhor ataque (10 gols) 
Holanda - Melhor ataque (12 gols)

Algumas observações:

- A Costa Rica foi a melhor defesa até as quartas de final, sofrendo apenas 2 gols
- Argentina , como a Espanha em 2010, é a única semi finalista que ainda não levou gols na fase eliminatória

A questão a partir de agora é avaliarmos o que poderá fazer a diferença em uma Copa onde Holanda e Alemanha, Brasil e Argentina tiveram partidas dificílimas nas oitavas e quartas de final, mesmo enfrentando seleções que, em tese, eram consideradas mais fracas.

O que esperamos a partir de terça-feira são jogos em que tudo pode acontecer e independente dos finalistas e do campeão mundial, com certeza o troféu estará bem representado pelas quatro seleções.

Vamos aos confrontos das semi finais:


















De acordo com as estatísticas disponíveis no site da FIFA, até o momento é possível imaginar um jogo em que a Alemanha deverá tomar a iniciativa da partida, pois é a seleção com maior número de passes completos (2.938) e em acurácia dos passes (80%) ,  além de percorrer uma distancia maior que o Brasil por partida, visando sempre os deslocamentos dos seus jogadores para manter a posse de bola e chegar ao gol do adversário. Já o Brasil deverá buscar atuar nos contra ataques e nas roubadas de bola no campo do adversário, dados esses possíveis de se comprovar pelo número de faltas cometidas, pela menor distancia percorrida, pela menor número de passes completos e na acurácia em relação ao adversário. 

Ao se avaliar esses dados, podemos concluir que no atual momento existe uma inversão de estilos nos quais as duas escolas ficaram caracterizadas na história.O Brasil ,que sempre foi caracterizado por ser o time do toque de bola, do controle do jogo, da tomada de iniciativa das partidas, atualmente joga mais parecido com o estilo característico das escolas europeias das décadas passadas do que com seu estilo clássico. O Brasil fez 60% dos gols em roubadas de bola no ataque e 40% em bola parada, já a Alemanha marcou 50% dos gols em bola parada e 40% dos gols em jogada construída, demonstrando maior repertório de jogadas.















                




De acordo com as estatísticas disponíveis no site da FIFA, até o momento é possível imaginar um jogo em que a Argentina deverá tomar a iniciativa da partida, pois é uma das melhores equipes em termos de posse bola,  tem maior número de passes completos e tem melhor acurácia nos chutes a gol  do que a Holanda. A Holanda durante toda a Copa se caracterizou pelos contra ataques, tanto que percorreu maior distância que a Argentina durante a Copa. Como busca bastante o contra ataque através de roubadas de bola, comete mais faltas que o adversário. 

Será um duelo muito interessante entre as duas escolas, com a Argentina propondo o jogo, dentro do seu estilo de toque de bola e a Holanda buscando explorar o que melhor sabe fazer durante a Copa, que são os contra ataques, que já lhe renderam 33% dos gols durante toda o torneio, enquanto a Argentina fez 50% dos gols em jogadas construídas. Como o jogo promete equilíbrio, a Holanda pode se beneficiar do seu preparo físico, pois já marcou 33% dos gols após os 35 minutos do segundo tempo, além de conseguir duas viradas durante todo o torneio. Já a Argentina procura partir para o ataque desde o princípio, tanto que já marcaram 37% dos gols até os 15 minutos do primeiro tempo.


Podemos observar que as diferentes escolas e estilos de jogo estão em campo, algumas seleções como Argentina e Holanda jogando dentro das suas principais características, a Alemanha com seu pragmatismo e inteligência sempre conseguiu adaptar os jogadores disponíveis em cada geração a diferentes estilos, tanto que é a seleção que mais participou de semi finais de Copa (13). 

Referente ao Brasil, que chega a sua décima primeira semi final, seguem algumas questões:

Será que o futebol brasileiro passando por uma perda de identidade e estilo por falta de qualidade dos atuais jogadores e treinadores?

Será que o futebol brasileiro perdeu seu  estilo devido ao futebol de resultados que hoje impera nos times brasileiros, que com raras exceções, estão ganhando os torneios muito mais no pragmatismo do que na qualidade dos seus jogadores?

Ganhar por ganhar, mesmo contrariando seu estilo, que não agrada e não tem identidade com a escola brasileira de jogar futebol e deixar esse legado para o futebol brasileiro  é o que queremos?

Será que devido à mudança nos valores e crenças da nossa sociedade, o estilo de jogo do futebol brasileiro também está passando por uma transformação?

Por que o jogo de futebol praticado nas ruas e campos não é  mais reproduzido nos campos de futebol profissional no Brasil?

Respostas que precisam ser respondidas, mas que não as teremos em curto prazo.








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