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NO!!!




Nesse final de semana assisti ao filme NO. O filme é uma história referente ao plebiscito efetuado no Chile em 1988 onde o povo é chamado para votar se o General Augusto Pinochet, que completava 15 anos de governo, deveria permanecer no poder ou não. Quem fosse a favor deveria votar Sim e quem fosse contra deveria votar Não (No em espanhol).

O que me chamou muito a atenção no filme foi que os líderes políticos a favor do Não tinham como linha de atuação, antes do início da campanha, confrontar as mazelas e o sofrimento do povo e dos que tiveram seus parentes desaparecidos por causa do regime ditatorial de Pinochet, sempre colocando o governo como dominante, tirano e injusto com os excluídos.

René Saavedra, um publicitário que tinha ligações com os partidários favoráveis ao Não, foi convidado para liderar a campanha na TV e foi totalmente contrário à linha inicial que os líderes queriam, propondo uma visão de futuro melhor, sem confrontar e sem rancor.

Nas últimas semanas, lendo vários posts e opiniões de vários Palmeirenses e comparando com a postura dos líderes de esquerda do filme, várias cenas me fizeram lembrar da percepção atual de uma boa parte da torcida do Palmeiras em relação ao tratamento que temos dos dirigentes, governantes e cartolas do Brasil e para mim chegou a hora do nosso Não.

Ao nos posicionarmos dessa forma, achando que a TV prefere outros clubes, o governo nunca deu a mínima para o horário do metrô nos jogos no Parque Antártica, que a mídia nos trata mal, tudo isso para mim é uma postura que está confrontando com os dominantes.

O Palmeiras sempre teve no seu DNA e na sua história uma forte postura de se impor por suas virtudes, nunca fomos um clube que buscou as benevolências dos dominantes. Tudo que o Palmeiras obteve em sua história foi pela conquista, com nossas virtudes e defeitos. Sempre fomos respeitados e agraciados quando fomos fortes, ousados, desbravadores. O Palmeiras sempre foi vanguarda, sempre foi e será rock and roll, underground, e vai voltar ser respeitado e admirado pelos dominantes quando voltarmos a agir como nosso DNA.

Não mais lamentemos às diferenças das cotas de TV.

Não mais lamentemos ao horário do Metrô.

Não mais lamentemos à mídia esportiva.

Times como Internacional, Grêmio e Santos faturaram e conquistaram mais que o Palmeiras nos últimos anos mesmo com cotas de TV menores e não tendo apoio dos poderosos. E ainda assim a mídia passou os seus jogos em horários nobres porque eram atrativos.

Sim ao DNA de desbravador, ousado e combativo do Palmeiras.

Sim ao espírito guerreiro e forte do Palestra, que tem seu ápice em 1942 na arrancada heroica.

Se a cada atitude de benevolência dos poderosos aos clubes rivais nós ficarmos querendo a mesma coisa, vamos nos comportar como eles, e isso nunca fez parte do nosso DNA. Somos diferentes, somos Palmeiras.

Foi no caos e na anarquia dos italianos, e que trazemos em nosso sangue, que sempre surgiram ideias inovadores que colocaram o Palmeiras sempre no papel de protagonista. Essa é a nossa carência atual, a falta de ideias inovadoras que possam contrapor aos que sempre tiveram suas fortalezas nas benevolências e favores dos governantes.




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