Pular para o conteúdo principal

Ser Grande e Estar Grande




Imaginemos que supreendentemente durante o mês de dezembro de 2013,  nos deparamos com a seguinte notícia:


Palmeiras anuncia pacote de reforços para 2014

No final da noite de ontem foram confirmado pelo site oficial do clube os seguintes reforços para a temporada 2014 incluindo o novo treinador.

Segue abaixo relação:

Treinador : duas vezes vice-campeão da Copa do Brasil, com rápida passagem por um grande time do Rio de Janeiro. Taxado de perdedor mesmo montando times competitivos em equipe de médio porte com recursos inferiores aos dos grandes clubes do Brasil.

Zagueiro: contratado por empréstimo , era reserva de um grande clube do estado de São Paulo, nunca se firmou como titular mesmo com os zagueiros titulares já em estágio final da carreira

Lateral Esquerdo: contratado sem custo após não ter dado certo num grande time do Rio de Janeiro e ter jogado a Série B em 2012 sendo campeão

Volante: jogador em fase descendente na carreira, contratado por empréstimo de um grande clube do Rio de Janeiro. Jogador que nunca se firmou por onde passou.

Meia- Atacante:  ex-jogador de um grande time de São Paulo, veio da Ucrânia como moeda de troca na venda de Diego Souza

Meia Armador : jogador de boa técnica, duas vezes vice-campeão da Copa do Brasil, nunca teve grande destaque na sua posição, mesmo fazendo bons campeonatos pelo time em que atuava

Meia Atacante: jovem destaque do Campeão da Série B do 2012


Conhecendo muito bem o comportamento da exigente torcida do Palmeiras, qual seria a reação que veríamos no twitter e em todas as mídias Palmeirenses logo após saberem desta notícia?


" #forabrunoro"

" O Tri em 2015 já está garantido"

"#forapilotoderally"

" Centenário sem ter nada"

"#palmeirasacabou"


Acredito que a grande maioria dos leitores sabe que a relação  dos jogadores e treinador acima mencionados é o perfil de cada um dos reforços que o recém campeão da Série A contratou para a temporada 2013 e até o momento o melhor aproveitamento de toda a história dos pontos corridos no Brasil.

Este pequeno exercício serve para todos os Palmeirenses refletirem sobre as nossas atuais reações e expectativas para o ano de 2014 e, muito mais importante, para os próximos anos do Palmeiras.

Sei que é duro reconhecer mas,  na minha modesta opinião, o Palmeiras tem uma grande marca, uma grande torcida e uma grande história, mas nos últimos 36 anos, apenas interrompidos pela parceria com a Parmalat entre 1992 e 2000, o Palmeiras se apequenou perante os seus principais concorrentes.

Fazendo um comparativo com o mercado corporativo, as ações do Palmeiras despencaram, perdeu Market Share, os resultados operacionais estão sempre no vermelho, os melhores e novos talentos  preferem os concorrentes, não consegue produzir novos talentos nem reter os poucos que se destacam.

Apesar do cenário atual, a marca, a tradição e a grande e apaixonada torcida do Palmeiras são o maior potencial a serem explorados, reconhecido até pelo Luis Paulo Rosemberg, um dos grandes responsáveis pelas mudanças no marketing do nosso arquirrival.

O que se escuta ou se constata dentro e fora do clube ainda é :

- a política continua a interferir demais nas decisões do clube

- a mais influente torcida organizada tem comportamento duvidoso devido a possíveis interesses não atendidos.

- a débil situação financeira sempre enfatizado pelo atual presidente e pelo CEO em várias entrevistas

- os últimos 13 anos com um saldo negativo entre conquistas e derrotas dentro e fora de campo.

As situações acima acabam atraindo os seguintes tipos de profissionais:

- treinadores e jogadores de segunda linha

- jogadores que se aproveitam do desespero para pedir mais do que valem

- apostas que chegam e, por não serem bem trabalhadas, acabam se queimando antes de poderem render seu melhor

- aventureiros que buscam um rápido destaque para logo serem negociados.

Tudo isso catalisado por uma mídia que considera que o  maior produto comercial  que o Palmeiras produz  é crise.

Meu caro leitor que é profissional e atual em vários segmentos do mercado de trabalho,  você aceitaria trabalhar numa empresa com o cenário acima?

Com o cenário posto acima, cabe aos líderes da atual gestão, encabeçados pelo presidente, reconhecer que o Palmeiras é grande, mas não está grande.

Não basta ser grande é preciso estar grande.

Após esse reconhecimento e com uma mentalidade vencedora e que pensa grande, fazer um planejamento estratégico de reconstrução de longo prazo,  de dentro para fora, comunicando e dialogando com todos os setores influentes interna e externamente para uma verdadeira união de forças para princípio neutralizar tudo o que atualmente atrapalha e paralelamente fazer um trabalho para mudar o cenário atual.

Apenas lamentar e constatar o que foi feito e não demonstrar o que está sendo feito para mudar a atual situação não é o que esperamos de qualquer grupo político que queira comandar o Palmeiras.

O Palmeirense quer que o centenário seja uma ano especial por tudo o que temos de boas novas para 2014: a volta para a Série A, a nova arena, a recuperação de parte do orgulho perdido.

Cabe à atual gestão comunicar muito bem o que se quer para o Palmeiras para os próximos anos, fazer um projeto que, independente dos futuros presidentes, uma linha mestra tenha que ser executada, independente de quem esteja no comando.

Criar mecanismos para que essa plano estratégico de longo prazo seja implementando à risca para o Palmeiras voltar a estar grande e explorar todo o potencial que este gigante adormecido pode gerar de conquistas, história , ídolos e receitas para o clube.

Com uma excelente comunicação, todos os envolvidos direta a indiretamente saberão o que o Palmeiras quer para os próximos anos e o que pode ser feito a curto e médio prazo, evitando assim expectativas não atendidas.

Nós torcedores queremos um Palmeiras Gigante como sempre foi e será, mas precisamos saber quando o nosso amado time voltará a estar grande novamente.



O Pensador - August Rodin








Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Os Alienistas

Tudo começou em 1995, na final da Supercopa São Paulo de Juniores. Após o gol de ouro que deu o título ao Palmeiras, os palmeirenses invadiram o gramado para comemorar e foram provocar os são paulinos, que, aproveitando a pouca presença de policiais, invadiram o gramado, transformando o campo de jogo na primeira batalha campal entre torcidas organizadas transmitidas ao vivo pela TV. 
As consequências foram a morte do garoto Márcio Gasparin, a condenação de Adalberto Benedito do Santos e, pela primeira vez, as organizadas Mancha Verde e Independente foram extintas pelo promotor público Fernando Capez, que comentou na época: “Era necessário um tratamento de choque.”
Como na belíssima obra O Alienista, de Machado de Assis, a partir dessa época começou a batalha dos Alienistas contra a festa popular nas arquibancadas do Brasil. Depois dessa medida, as bandeiras, instrumentos, faixas, papéis picados, rojões, fogos de artifício, sinalizadores foram proibidos, além de não poder vender cerveja.…

O Dono e os Chefs

Após sete mudanças de treinadores em apenas quatro rodadas do Campeonato Brasileiro da Série A, vários colunistas estão criticando o que já é recorrente na gestão do clubes brasileiros, a troca de treinadores por maus resultados ou expectativas não alcançadas.
Para tentar ilustrar de uma forma mais lúdica as consequências deste comportamento inaceitável dos gestores esportivos, convido o leitor a ler a seguinte historia:
O Dono e os Chefs
Uma churrascaria acaba de trocar de dono no início de dezembro e, como o negócio não ia bem, o dono resolveu trocar de churrasqueiro, pois os clientes estavam reclamando da qualidade da comida, tanto que as vendas estavam baixas recentemente.
O novo mestre churrasqueiro, juntamente com o dono, estavam com várias ideias e decidiram aumentar a variedade de carnes no cardápio. No começo do ano a curiosidade dos clientes fez com que aumentassem as vendas mas,  após 3 meses, os clientes já perceberam que a qualidade e a expectativa com o novo churrasqueiro fi…

Os fatores que impactam na percepção de valor dos torcedores parte 2 : Precificação

Na semana passada iniciei uma série de posts referentes aos fatores que impactam na percepção de valor dos torcedores. O próximo fator que gostaria de compartilhar com vocês é a precificação dos ingressos.
Como ponto de partida dessa análise, vamos avaliar o comportamento do torcedor do São Paulo em alguns jogos no Morumbi:
23/03/2016 – Campeonato Paulista São Paulo 1 x 0 Botafogo de Ribeirão Preto Dia da semana: quarta feira Horário: 21:45h Público Pagante: 3.118 Renda Bruta: R$ 123.026 Ticket Médio: R$ 39,49
06/07/2016 – Copa Libertadores da América São Paulo 1 x 2 Atlético Nacional (semi final) Dia da semana: quarta feira Horário: 21:45h Público Pagante: 61.766 Renda Bruta: R$ 7.526.480 Ticket Médio: R$ 121,85
22/10/2016 – Campeonato Brasileiro São Paulo 2 x 0 Ponte Preta Dia da semana: sábado Horário: 17:00h Público Pagante: 49.673 Renda Bruta: R$ 600.541 Ticket Médio: R$ 12,09
12/02/2016 – Campeonato Paulista São Paulo 5 x 2 Ponte Preta Dia da semana: domingo Horário: 17:00h Público Pagante: 50.952 Renda Br…