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Se o Rock in Rio fosse o Brasileirão





Durante a semana li duas opiniões muito pertinentes sobre os ensinamentos do Rock in Rio para o esporte brasileiro e as lições de Bruce Springsteen para os empreendedores.

Agora, e se fosse ao contrário?

Você imaginaria como seria o Rock in Rio se fosse "gerido" no mesmo modelo que atualmente o futebol brasileiro e, principalmente, o Campeonato Brasileiro são administrados?

Mesmo com todo o investimento em um local com padrões similares aos demais festivais que ocorrem no mundo apenas 22% dos ingressos seriam vendidos para todo o festival e 38% para os principais dias do festival.

Como as bandas pensariam cada uma para si, o grupo que negociaria todos os quesitos mercadológicos em nome das bandas seria extinto, e a emissora que adquiriria os direitos de transmitir o festival negociaria diretamente com as bandas, pagando um alto valor para uma banda de pagode e uma dupla sertaneja, pois são as bandas que mais dariam audiência para a emissora.

Imaginem o Rock In Rio com uma banda sertaneja e de pagode como bandas principais para fechar os principais dias do festival no Palco Mundo?

A emissora, por ter o direito de transmissão, exigiria que os shows seriam da meia noite até as seis da manhã, às segundas, terças e quartas feiras, pois primeiro ela teria que agradar seu público com a novela e o futebol.

Apesar das bandas serem famosas, muitos músicos teriam pouca experiência e sem reconhecimento pelo público, e só um grande ídolo, já em fase decadente na carreira, faria parte de grande parte das bandas. E eles não poderiam dar show todos os dias pois seus corpos já não aguentariam o ritmo intenso de show dia sim dia não.

Mesmo as famosas bandas de pagode e sertanejo não conseguiriam lotar os shows, pois tocando a cada dois dias até seus fãs mais fervorosos não teriam condições financeiras e vontade de assisti-los frequentemente, não despertando o mesmo desejo de antigamente.

Esse mesmo público criticaria que as bandas não criariam mais músicas novas, e sempre tocariam o mesmo set list. Os músicos e managers reclamariam que, com esse ritmo alucinante de shows, aviões, hotéis, não teriam tempo para corrigir e melhorar as falhas dos shows e nem tempo nem inspiração para criar novas músicas.

Bruce Springsteen seria vaiado no palco, pois ele não faria um show de 3 horas como nos Estados Unidos. Ele não aguentaria o ritmo de shows e aviões para atravessar um país continental como o Brasil. Alguns reclamariam que os Estados Unidos também é um país com dimensões similares ao Brasil, mas lá os shows ocorrem entre setembro e janeiro, enquanto no Brasil os shows são de janeiro a dezembro, com apenas 01 mês de férias.

No dia de uma das principais atrações do festival, o vocalista, com um talento promissor e que atrai inúmeros fãs, teria que viajar para fazer uma filmagem em Hollywood, pois já havia assumido esse compromisso, e para seu lugar seria colocado um substituto, o que esvaziaria o show.

No dia seguinte o baterista de uma grande banda de rock não poderia tocar devido a uma lesão na coluna, pois as condições para tocar no interior seriam precárias. Nos bastidores todos reclamariam da baixa qualidade dos ginásios do interior e pela série de shows com menos de 100 pessoas.  Ele não poderia deixar de tocar nesses shows menores, pois caso contrário a banda seria punida pelo emissora e pela organizadora.

O manager de uma das grandes bandas do festival, juntamente com sua banda seriam abordados por fãs em um restaurante de forma violenta. Todos reclamariam que a banda não fazia mais sucessos e ameaçariam bater em todos os integrantes se essa situação não mudasse em breve, caso contrário não teriam mais sossego.

Mesmo com baixa procura, os fãs teriam que fazer filas quilométricas para comprar seus ingressos, mesmo com as compras pela internet já serem uma realidade em outros eventos no Brasil. Além disso, seria possível perceber que vários cambistas circulariam pelas ruas ao redor da cidade do rock, ofertando ingressos pelo triplo do preço das bilheterias.

Devido a falta de organização e visão de negócio, na mesma data seriam colocadas para tocar no mesmo palco uma banda de heavy metal, outra de boys band e uma banda de forró. A cada show, parte da plateia vaiaria a banda que não gostassem e vice versa, transformando uma bela noite de shows em uma praça de guerra, onde seria possível ver famílias com seus filhos correndo desesperadamente para fugir da briga e dos gases de pimenta que a polícia soltaria no meio da população.

Você imaginou o Rock in Rio dessa forma?

Infelizmente o futebol brasileiro é assim e tem todo o potencial para ser uma grande festa.








Comentários

  1. Gostei da comparação: o futebol tem de ser gerido profissionalmente, é uma experiência, mais do que puro entretenimento. Os serviços prestados hoje, padrão "CBF-FPF" são lamentáveis, quarto-mundo. Os clubes, como apontado no texto, também não se manifestam em direção a uma solução aos moldes da NBA, que favorece os interesses do campeonato como um todo. É cada um negociando sua cota com a Globo, e dane-se o campeonato !

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  2. Infelizmente o Clube dos 13 acabou, mas da forma que era gerido tinha que acabar mesmo. Para mudar essa situação as cotas de TV teriam que serem divididas de forma igualitária independente se tem mais torcida, mais publico. Todos os clubes receberiam o mesmo valor, depois cada agremiação que corra atrás dos parceiros para aumentar suas rendas, explores suas arenas de forma justa.

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  3. Uma prova de como é possível mudar a situação. Basta querer e deixar de pensar que no Brasil nada funciona. O Rock In Rio é um sucesso em todos os sentidos, como o Carnaval.

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