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O Produto Futebol no Brasil




Estou lendo o livro " Marketing Esportivo - O Esporte como Ferramenta de Marketing " de Francisco Paulo de Melo Neto e também estou fazendo o curso on line "The Global Business of Sports " na University of Pennsilvania para rever e incorporar conceitos.

Ainda não concluí nem o livro nem o curso, mas já tenho algumas reflexões sobre os problemas que atualmente afetam e atrapalham que o produto futebol no Brasil tenha o tão esperado salto de qualidade em todos os sentidos, conseguindo atingir o patamar que todo o mundo imagina que podemos produzir dentro e fora de campo de forma sustentável.

Pelos conceitos de marketing os 4 P´s aplicados ao futebol são os seguintes:

Produto : o jogo ( jogadores, treinadores , árbitros e todos os que produzem o jogo )

Preço : preço do ingresso , pay per view, camisas e produtos licenciados


Place ( Local ) : arenas , estádios onde são produzidos os jogos

Promotion ( Comunicação ) : promoção dos torneios, dos jogos, a transmissão via TV

Segundo o livro Marketing Esportivo, temos o quinto P, que seria a Paixão que envolve um jogo de futebol. Este quinto P, de acordo com autor, tem tudo a ver com o conceito de Marketing Esportivo do século XXI, a experiência, a vivência, a emoção do torcedor /
consumidor.

Muito tem se questionado porque os estádios e as novas arenas continuam vazios e não será possível chegar a todas as respostas e soluções em um único post.

Pelo meu ponto de vista, o ciclo virtuoso do produto futebol no Brasil parte das seguintes premissas ordenadas na sequencia abaixo:

1) Times com bons jogadores, treinadores e árbitros competentes provavelmente vão produzir bons jogos

2) Calendário com Campeonatos que gerem valor para os clubes e torcedores

3) Estádios confortáveis e com visão total para todos os espectadores e serviços adequados

4) Transmissão pelas mídias para grande massa que não tem acesso ao estádio

Os quatro pontos acima citados são os pontos chaves que geram as principais fontes de receita dos clubes:

1) Match Day - arrecadação nos dias de jogos no estádio com ingressos, restaurante, estacionamento, camarotes, lojas com produtos licenciados

2) TV - quanto mais valioso os clubes, jogadores, treinadores e campeonato, mais gerarão audiência , portanto maior o valor pago pelas TV´s

3) Patrocínio - como o item 2, quanto maior a exposição e divulgação maior o valor e quantidade de patrocinadores que queiram associar suas marcas com os campeonatos e os clubes

4) Merchandising - vendas de produtos licenciados



Ciclo Vicioso do Futebol Brasileiro


Com as explanações acima, a premissa número 1 é fundamental para que todas as demais sejam ativadas e, na minha opinião, esse é o ponto crítico dos motivos que o produto futebol brasileiro não consegue o tão esperado salto de qualidade.

Para embasar meus fundamentos em termos de produção de um bom jogo, leiam a coluna do Tostão deste domingo na Folha.

O que ele escreveu com muita propriedade é que os treinadores brasileiros, com raras exceções, estão atrasados em termos de conceito tático e de visão de futebol como um grande produto a ser consumido. As consequências são jogos sem nenhuma promoção devido a falta de qualidade dos jogadores, treinadores, times, estádios, campeonatos, não despertando o interesse dos torcedores em comprar o produto com qualidade duvidosa.

Os presidentes dos clubes, que são os donos das suas marcas ( times )  e propriedades ( jogadores , treinadores , estádios ),  deveriam se preocupar em valorizar suas marcas e propriedades contratando jogadores e treinadores visando a produção de um jogo de futebol agradável e competitivo.

A criação de uma liga ou órgão similar que se preocupasse com a produção de qualidade dos espetáculos e com as questões mercadológica dos clubes, poderia difundir essa premissa básica para todos os participantes dos torneios. A consequência seriam jogos de melhor qualidade, em campeonatos que geram valor para clubes e torcidas, atraindo mais torcedores para os estádios / arenas com serviços adequados para todos os níveis sociais, aumentando seu valor como produto que aumentaria mais o interesse e os valores pagos pelas TV´s e patrocinadores para associar suas marcas ao produto futebol de qualidade.

Portanto, sem um bom produto a ser consumido, as demais premissas terão grandes dificuldades para serem atingidas. Antes de se questionar o porque dos clubes não conseguirem aumentar suas arrecadações nos estádios e com as demais fontes de receita além da TV, o foco nesse momento deveria estar na produção de um bom jogo.

Essa situação vem sendo adiada a anos devido a vitórias e conquistas fugazes da seleção brasileira ou dos clubes em torneios internacionais, que evitam uma visão mais profunda dos vários problemas que o futebol brasileiro precisa encarar para mudar o cenário atual.



Caro leitor, convido a todos a debaterem os temas aqui explanados para reflexões e propostas concretas aos atores e produtores do espetáculo.






Comentários

  1. Achei bem legal, além dos pontos destacados por você, também destacaria a falta de segurança especializada e cartolas mais torcedores que profissionais no Brasil.

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  2. Boa Noite Marcelo... Sua visão é perfeita no meu entendimento. Só discordo em relação aos técnicos. O atraso está nos dirigentes. Acredito que os técnicos são 'vitimas' de um calendário perverso e mal elaborado. Convido-o a conhecer meu blog para discutirmos algumas propostas projetoelitef@blogspot.com ou a página no face: Projeto Elite Futebol Brasileiro.

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  3. Como futuro gestor esportivo tbm concordo com suas teses. Porém nos clubes há muita gente com essas teses. Só não as colocam em prática pq ficam a mercê mercê dos donos do futebol no Brasil: A CBF.Como ir adiante se há outros interesses pelo mesmo produto futebol. A criação de uma Liga regida dentro dos princípios q vc colocou, naturalmente levaria o futebol na direção desejada.
    Abs

    MBA GESTÃO ESPORTES FGV

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  4. Cara, você tocou no ponto certo quando diz que o problema são os dirigentes. A segunda imagem retrata bem o que seria a melhor forma de os clubes promoverem mudanças e se desenvolverem.
    Estou cursando Gestão Desportiva e de Lazer, mas vejo que é muito complicado conseguir adentrar e mudar esse meio do futebol brasileiro, pois é uma máfia onde não querem abrir espaço para uma Gerência profissional com medo de perder o lugar.

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