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Domingo Mágico




Domingo, eu vou ao Maracanã!
Vou torcer pro time que sou fã.
Vou levar confetes e bandeiras, não vai ser de brincadeira, ele vai ser Campeão.
Não quero cadeira numerada, eu vou de arquibancada, pra sentir mais emoção!
Porque meu time bota pra ferver, e o nome dele é vocês que vão dizer:
Ô, oh!!
Ô, ô, oh, oh!
Ô, ô, oh, oh!
Ô, oh! 
BRASIL!!!


A quantos anos eu não cantava com tanta energia a música acima, ainda mais no Maracanã em um jogo do Brasil?

Ao cantar esta célebre música talvez tenha sido o momento em que mais me emocionei, pois me remeteu a minha infância, aos domingos de futebol no Palestra Itália, a momentos mágicos que nunca mais sairão da minha memória e que foram resgatados durante os inesquecíveis 90 minutos de emoção e alegria do último domingo.

Bairrismo a parte, não há combinação mais perfeita do que um jogo da Seleção Brasileira no Maracanã com a torcida inflamada como a do último domingo. Ainda mais jogando uma final de um torneio internacional no Brasil contra a melhor seleção do mundo, a Espanha de Xavi e Iniesta .

Quem foi ao Maracanã no domingo foi agraciado com um presente especial dos deuses do futebol.

Desde o momento em que saíamos da estação Maracanã do metrô carioca, era possível sentir no ar uma vibração que a anos eu não sentia em um jogo da seleção brasileira.

Pessoas de várias partes do país, carregando com orgulho a camisa do Brasil e dos seus respectivos clubes de coração. 

A energia do Rio de Janeiro, principalmente no bairro da Tijuca era especial.  


Eu, Vinícius, Claudemir, Marcelo e Jéssica
Tive a alegria de conhecer novos amigos como Claudemir, Marcelo e Jéssica, e encontrar meu sócio Vinícius na porte de um dos bares e fomos agraciados com as últimas latinhas de cerveja disponíveis no momento.

No caminho dei um grande abraço no grande Palmeirense PVC da ESPN Brasil, recebi santinhos de evangélicos e fomos contornando o Templo do Futebol, admirando sua beleza e apreciando o clima das ruas repletas de torcedores em busca de um reencontro com a seleção brasileira.



Parecia a reconciliação de um amor não correspondido, que durante o jogo teve seu momento de desabafo quando cantamos o clássico samba de Beth Carvalho:

Chora, não vou ligar, não vou ligar
Chegou a hora, vais me pagar
Pode chorar, pode chorar
É o seu castigo
brigou comigo, sem ter porquê,
Vou festejar, vou festejar!
O teu sofrer, o teu penar
Estátua Bellini - Maracanã
Você pagou com traição, a quem sempre te deu a mão

Apesar do foco da música ser os espanhóis, na verdade era uma forma do torcedor brasileiro colocar pra fora seu sentimento de amor não correspondido que a seleção brasileira teimava em manter distante.

A entrada principal, com a estátua o capitão Bellini e a grande marquise da entrada intacta, nos remetia a uma grande viagem no tempo. Senti como se estivesse remetido aos anos dourados do futebol brasileiro de Pelé e Garrincha, que davam seus recitais de futebol nas tardes de domingo no Maracanã.



Colunas do Maracanã
As clássicas colunas que sustem a cobertura da rampa de acesso às arquibancadas estavam lá para dizer que a magia estava viva, como as célebres colunas do Pathernon de Atenas.

Finalmente umas cervejas para refrescar o corpo e aquecer a mente foram degustadas com prazer, apesar do  salgado preço de R$ 9,00 por um latão da Brahma.
Pathernon - Atenas

Ao olhar para o interior do estádio, parecia que o futuro havia chegado ao Brasil. Tudo perfeito, lindo, maravilhoso.O cenário ideal para uma final de campeonato estava montado, e os artistas não poderiam nos decepcionar.

Como não se arrepiar da cabeça aos pés ao cantar e sentir o estádio inteiro pulsando a cada sílaba do hino nacional cantado à capela por mais de 73 mil brasileiros?

Mais do que apoiar os 11 jogadores, estávamos lá para colocar pra fora o sentimento de amor ao país e o clamor de justiça num país que está passando por um momento mágico em termos de protestos, atitude e reinvidicações.


Visão de Jogo - Maracanã
Tudo perfeito:  localização, gramado, torcida inflamada, jogadores de alto nível.

Como é bom poder tomar cerveja durante o jogo, que saudades ! 

A cada gole, sentíamos que nada poderia dar errado.

A conjunção perfeita dos deuses do futebol estava configurada no astral do Maracanã quando fomos agraciados com o gol de Fred, deitado eternamente em berço esplêndido, bem na nossa frente.

Com certeza foi o gol da seleção brasileira que mais comemorei no estádio. O grito de gol que ecoou no Maracanã era um grito de explosão, muito maior do que um simples tocar da bola na rede do adversário. Era o Brasil ressurgindo dentro dos gramados.

A Espanha, tão poderosa, ficou atordoada, como o touro ao ser domado pelo toureiro nas selvagens touradas espanholas.

Neymar e companhia domaram a fúria espanhola, que teve sua chance de vingança aos 40 minutos do segundo tempo, quando Davi Luiz fez o segundo gol do Brasil, ao salvar a bola chutada por Pedro.

A fera estava vulnerável, e Neymar mostrou que o filho teu não foge a luta, ao estufar as redes de Casillas. Delírio no Maracanã. Ao lado de corintianos, são paulinos e botafoguenses, todos nos abraçamos como um reconciliamento das nossas rivalidades, juntos celebrando aquele momento mágico, numa arena de alto padrão, em que tudo funcionava de acordo e como qualquer torcedor no mundo deve ser tratado em um estádio de futebol.

Fred , às margens plácidas da grande área, desviu a bola de Casillas no início do segundo tempo, e o grito de é Campeão foi ouvido desde a Tijuca para o mundo.

A temida Espanha estava de joelhos, ainda mais após Sérgio Ramos perder um pênalti e em seguida Piquet ser expulso. À partir daquele momento o Maracanã virou uma Plaza de Toros de Pamplona. 

Aos gritos de Olé!!, Olé!!,  seleção brasileira dava seu recital de gala no Maracanã.

Fim de jogo, Brasil Campeão!

Dentre outras mil, és tu seleção do Brasil, a mais amada!


Quem esteve no Maracanã neste inesquecível 30/06/2013, não foram adultos, mas sim as crianças que em sua grande maioria, como eu, aprendeu a se apaixonar por futebol após uma Copa do Mundo. 

Eu e os mais de 73 mil pagantes que estiveram presentes no Maracanã, tiveram uma viagem no tempo emocional, transcendendo nossas idades atuais, nos remetendo àqueles garotos que saíam gritando pelas ruas a cada gol da seleção nas Copas do Mundo das nossas infâncias.

Emocionante! Momento ímpar que nunca mais esquecerei em minha vida.

Saímos flutuando do estádio, todos de alma lavada, felizes demais com tudo que presenciamos e nos emocionamos neste Domingo Mágico.

Ao tomar o ônibus que cruzou toda a Avenida Atlântica, foi possível ver a orla de Copacabana, com seus edifícios clássicos e que mais uma vez me deixou a certeza que eu estive nos anos 60 do futebol , revisitei a minha infância e pré adolescência por 2 horas, mesmo estando em 2013.

Só o futebol e a música são capazes desses momentos mágicos.

Obrigado aos deuses do futebol por mais um presente que este humilde e apaixonado súdito do futebol foi agraciado neste dia.

O Campeão Voltou!!!












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