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O dinheiro está no torcedor



Durante a semana saíram números referentes ao faturamento e às principais fontes de receita dos clubes brasileiros e europeus.

 Fazendo um paralelo com a Budesliga, Liga que administra o futebol na Alemanha e que é hoje a estrela em ascensão na Europa, fica ainda mais claro quanto o negócio Futebol no Brasil precisa ser reinventado.

Vamos a alguns números comparativos :

Média de Público Última Temporada
Bundesliga           44 mil / partida
Brasileiro              13 mil / partida

Faturamento dos Clubes Série A
Bundesliga           Euro 2,08 bilhões ( segunda maior do mundo)
Brasileiro              Euro 1,20 bilhões ( quinta maior do mundo)

Principais fontes de receita

Bundesliga*          Marketing             26.6%
                               TV                          26.2%
                               Match Day            21.2%
                               Transferências     10.0%
                               Patrocínio               4.5%

Brasileiro**          TV                           40.0%
                               Patrocínio             14.0%
                               Transferências    14.0%
                               Clube Social        11.0%
                               Match Day              7.0%


  * Fonte Ernest Young Brasil
** Fonte Amir Somoggi

Além dos números acima demonstrados, todos os clubes são obrigados a terem suas finanças em dia. Não podem terminar o ano com déficits, pois serão proibidos de disputar a próxima temporada.

Até esse momento falamos somente de números e premissas. Ao incluirmos na comparação a qualidade dos jogos e dos times que disputam os dois torneios, fica mais claro que o grande ponto que diferencia as duas ligas está na gestão e na forma como o negócio futebol é tratado nos dois países.

Torcida Borussia Dortmund
Enquanto os 18 clubes da Bundesliga geraram um lucro de Euro 55 milhões na temporada 2012, os 20 clubes da série A do Brasileiro geraram prejuízo de Euro 61 milhões, no ano em receberam as maiores cotas de TV da história do futebol brasileiro.

A Bundesliga é uma liga profissional, com premissas, estratégia de longo prazo, com profissionais competentes, com leis e punições rigorosas, e os clubes automaticamente precisam seguir esse modelo de gestão, principalmente por exigência de uma entidade que premia os melhores na gestão e pune os que não cumprem as exigências, independente do tamanho da sua torcida e seu histórico.

E no “país do futebol”?

Não temos uma liga por interesses políticos e individuais. Sem um órgão regulador, o reflexo é cada time lutando por si, sem entender que, fora dos gramados, todos deveriam estar do mesmo lado, buscando melhorias em todos os quesitos para transformar a quinta maior liga do mundo em uma das mais lucrativas, profissionais e emocionantes. Para esse projeto se transformar em realidade muita coisa deve mudar, e todos sabemos que o início dessa mudança é na gestão, na forma como o negócio futebol é tratado no Brasil.

Torcida Bayern Munich
A duas principais ligas do mundo, Premiere League da Inglaterra e a Bundesliga da Alemanha, focam o torcedor como principal fonte de receita utilizando as premissas da responsabilidade financeira, um calendário racional, a divisão de receitas de TV mais igualitária, estádios confortáveis, exigindo que os clubes tenham jogadores de qualidade e de renome. Com essas premissas os jogos se tornam emocionantes e disputados, atraindo maior público aos estádios em horários decentes, despertando a paixão do torcedor, que transforma essa paixão em consumo de produtos dentro e fora do estádio.

Os clubes brasileiros precisam despertar para essa realidade, pois cada vez mais a distância com os principais centros do futebol mundial fica maior. Não precisam inventar a roda, mas sim utilizar as mesmas medidas que já comprovaram que são sucesso em outros centros.

O torcedor brasileiro é apaixonado por futebol, mas essa paixão está diminuindo, tanto que o número de pessoas que não torce para time algum é maior do que a torcida do Flamengo, maior torcida do Brasil. Algo precisa ser feito para focar o negócio nos clubes e no torcedor e inverter o atual cenário em que a CBF e as Federações Estaduais faturam mais que os clubes, pois corremos sim o risco de tudo o que está sendo gerado de expectativa com a Copa do Mundo e as cotas de TV rapidamente mude de humor devido ao baixo retorno dos investimentos.

Temos hoje um país pronto para consumir produtos, e o entretenimento é um desses produtos que, se não forem bem trabalhados, terá seu foco nos shows, cinemas e teatros ao invés de ir para o futebol.

A média de público do futebol brasileiro é a décima terceira do mundo, enquanto a MLS, liga americana de futebol, já é a sétima do mundo.

Estadio do Pacamebu - São Paulo
O torcedor consumidor não é bobo, não quer mais assistir jogos sem interesse algum como os jogos dos estaduais, não quer ir ao estádio às 22 horas de uma quarta feira, não quer ser mais tratado como gado nos estádios, quer que a grande maioria dos jogos da Série A sejam disputados com times titulares e com suas principais estrelas, quer que os jogos tenham emoção e qualidade, quer consumir produtos de qualidade dentro e fora do campo.

A Premiere League e a Bundesliga já perceberam que o dinheiro está no torcedor, e os números falam por si, enquanto no Brasil nem liga existe.

Sem uma visão clara de onde o negócio futebol no Brasil quer chegar, iremos viver nos enganando ano após ano, vendo cada dia mais nossa história futebolística se distanciando no retrovisor.

Já passou da hora de olhar para frente, de fazer benchmarking com os ingleses, alemães e americanos, pois, caso contrário, o Brasil se transformará no campeão do século XX, como vários times do futebol brasileiro estão se transformando.











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