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Pause and Play


11/04/2015

Depois de dois anos daquele mágico dia, não tenho dúvidas em dizer que foi um dos dias mais importantes na minha vida e da vida do Palmeiras.
Como no meu livro que lancei em 2013 sobre os 20 anos da fila, mais uma vez o Palmeiras e eu tivemos nossos destinos cruzados.
Esse dia foi marcado primeiramente por eu ter deixado claro para minha liderança que o meu futuro na empresa estava selado, que a partir daquele momento, foi como que oficialmente eu tivesse declarado ao mundo que uma nova história da minha vida estava sendo construída.
Sem nenhum arrependimento, mágoa ou frustração, as palavras que saíram da minha boca naquele almoço pareciam que tinham vida própria, como que eu somente estivesse apertando o play da história da minha vida, saindo do pause que parecia que nunca mais teria fim.
Após aquele movimento, formalmente eu estava começando minha nova história, deixando para trás alguns volumes que serviram até aquele momento, mas que, a partir de 2012, percebi como era um peso morto em minhas costas.
O ser humano errante, como que em busca da música perfeita, vagueia anos até encontrar a melodia que mais lhe agrada, e após longa data, percebe que o ritmo, a melodia, a cadência e o tom perfeito, estavam no lugar de sempre, dentro de nós, mas não conseguimos perceber que o verdadeiro diapasão é nosso coração. Muitas vezes ficamos surdos para a melodia perfeita, sendo enganados pelo pause, que parece play, que o mundo quer nos vender.
Leve e libertado, já ouvindo as primeiras notas da sinfonia da vida, fui ao encontro do meu Palmeiras e seus garotos e operários da bola.
Dentre as 35 mil vozes que entoavam a melodia da alma Palestrina, a minha voz pulsava visceralmente, transformando o Pacaembu em um portal para outra dimensão, elevando, mas ao mesmo tempo destruindo as amarras de quase 3 décadas que pareciam que nunca mais seria possível livrá-las da história do Palmeiras.
Na semana anterior vivemos os Sonhos de Uma Noite de Verdão, naquela noite emblemática de outono, acompanhados pelo coro de 35 arcanjos, o Palmeiras exorcizou mais uma vez seus demônios, expurgando da sua alma o marasmo em que vivia enfeitiçado, para despertar novamente para a Grande Sinfonia das Vitórias.
Naquele dia eu expurguei meus demônios, depois ajudei o Palmeiras a expurgar os seus, e hoje vivemos plenamente dias de glória, de plenitude e de alegria. Uma comunhão perfeita com o todo, transcendendo o profano em sagrado, elevando o terreno para o céu, tirando um enorme hiato de um silencio sepulcral para uma sinfonia eterna de plenitude, alegria e conquistas.
11/04/2013 o dia em que o pause virou play, o dia em que o possível se transformou em realidade, o medo e a falta de coragem se transformaram em coragem e autoconfiança, que os separados se uniram, que esse ser humano errante que vos escreve se libertou, que o Palmeiras voltou a Ser Palmeiras.

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