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Estatística e Scout


Recentemente e com atraso, os termos estatística e scouting começaram a ser mencionados no meio futebolístico brasileiro. Para os leigos no assunto esses dois termos surgem como palavras que nem constavam no vocabulário do futebol, mas em grande parte dos clubes de futebol no Brasil, a ignorância referente a esses dois termos também impera.
Felizmente esse cenário começa a mudar, mas ainda no mesmo ritmo da construção das novas arenas que estão surgindo no futebol brasileiro.

Para facilitar a apresentação dos dois termos, muitas vezes recorremos ao livro Moneyball, que depois se transformou em filme. O livro é um grande exemplo de como, baseado em estatísticas, sibermetrics e scouting e também com um grande tempero de ousadia, é possível revolucionar a forma de analisar as performances e efetuar contratações no beisebol. Hoje todas as franquias do beisebol americano utilizam dessas metodologias, graças a Billy Beane e aos dirigentes Oakland Athletics.


 Para iniciar essa discussão com os termos mais utilizados, vamos às definições:
Estatística é a ciência que utiliza-se das teorias probabilísticas para explicar a frequência da ocorrência de eventos , tanto em estudos observacionais quanto em experimento modelar a aleatoriedade e a incerteza de forma a estimar ou possibilitar a previsão de fenômenos futuros, conforme o caso.
Sabermetrics é a análise especializada do beisebol através de prova objetiva, especialmente estatísticas do beisebol que medem as atividades durante o jogo. O termo é derivado da sigla SABR, que representa a Sociedade de Pesquisa de Beisebol Americana.
Scout é uma palavra da língua inglesa que significa explorar. Esse é o principal objetivo de um trabalho de Scout, exploarar todas as possibilidades das equipes analisadas, encontrando pontos fortes e fracos nas mesmas. O Scout é um fator que passou a ser muito utilizado no esporte. Com os dados contidos nele, as equipes tem uma base de dados completa sobre seu desembenho a cada jogo realizado. Assim a comissão técnica tem um importante referencial para melhorar o desempenho da equipe nos jogos e também nos treinamentos.
Para vocês torcedores esses termos podem não despertar nenhum interesse, mas saibam que esses termos já fazem parte do futebol, principalmente na Europa e que agora começa a engatinhar no Brasil.
Baseado nesses pilares, nos dias de hoje considero inaceitável um time de futebol profissional não ter um departamento de estatística na estrutura do Futebol Profissional. Infelizmente, a realidade do futebol brasileiro não é essa, muito pelo contrário.
Quando se fala em estatísticas na grande maioria dos clubes, os atuais diretores de futebol profissionais, muitos deles recém-saídos dos gramados, apenas associam esse termo com dados superficiais de chutes a gol, passes certos, errados, etc.
Existe hoje disponível na porta de casa de todos os clubes das séries A e B do futebol brasileiro os principais produtos que os clubes europeus utilizam. O grande fator limitador é a ignorância sobre os benefícios de possuir esses produtos para as melhorias que se pode efetuar com essas ferramentas.
Vamos a detalhar de forma bem superficial os benefícios:
Scout:
- procurar em uma base de dados global os jogadores com o perfil que a equipe necessita, com todos os dados médios da performance dos jogadores;
- avaliar os erros, acertos e assistir aos vídeos dos jogadores pesquisados.

Relatório Completo de cada partida:
- todas as estatísticas possíveis de serem levantadas durante uma partida, tanto da performance de cada um dos times, de cada jogador e da partida como um todo;
- relatórios completos de cada partida, no geral, por zona, por dinâmica do jogo, onde é possível detectar os motivos de uma vitória, derrota ou empate;
- análise da dinâmica de jogo de cada jogador, para avaliar se ele executou com eficiência o que foi planejado;
- análise comparativa contra os próximos adversários para avaliar seus pontos fracos e fortes.

 
Análises:
- demonstrar as ações chaves da partida, traduzindo em dados as causas da vitória ou derrota;



Vídeos:
- demonstrar posicionamento da sua equipe e dos seus adversários;
- destacar as movimentações a serem executadas ou as prinicipais ações do adversário;
- praparar vídeos individuais para cada jogador da equipe.


Fitness:
- analisar toda a performance física da equipe em toda a temporada, a distância percorrida, com e sem bola, correndo, trotando, andando, arrancadas.

Com as ferramentas acima o margem de erro em cada uma das principais atividades de um diretor, gerente, treinador e preparador físico são minimizadas, desde uma contratação com o melhor custo benefício, passando pela análise de sua equipe e dos adversários que podem se transformar em vitórias e em títulos, e concluindo com a melhoria da performance dos jogadores do se clube, atingindo seus objetivos indivduais e coletivos, valorizando seus jogadores.
Recentemente vemos que as contratações do Corinthians tem uma margem muita alta de acerto baseado em programas de Scout, bem como clubes com o Borussia Dortmund, que estava praticamente falido em 2005, e se transformou na mais nova sensação da Europa com jogadores que custaram menos que Luan e Valdívia, só para ficar nesses dois exemplos.
É redundante dizer que não há mais espaço para amadorismo no futebol profissional, mas ainda o futebol brasileiro engatinha em ferramentas como essas que o mundo já utiliza com frequencia.
Até quando jogadores serão contratados por indicação de pastores, amigos, familiares, conselheiros ou através de vídeos editados dos empresários?
Até quando vão se contratar jogadores de baixíssimo custo benefício para os clubes, por não estarem avaliando suas performances recentes, mas somente sua trajetória passada ou por motivos eleitoreiros e emocionais?
Até quando treinadores vão usar somente seu “feelling”, seus currículos, suas palestras motivacionais baratas e sua “psicologia” de botequim para buscar a melhoria dos seus atletas, sem se basear em dados que podem ser medidos com clareza visando a melhoria da performance individual e coletiva dos jogadores e equipes?


É muito fácil dirigentes gastarem o dinheiro, que quase nenhum clube brasileiro tem, com ações de marketing ou não, em jogadores que estão comprovadamente em dacadência, somente para agradar a torcida, e após a performance do jogador ficar comprovada que está muito abaixo do esperado, vir para a imprensa dizer que foi o jogador que a torcida queira, etc.
A ousadia hoje, não fica restrita somente ao discurso fácil de que não há dinheiro disponível para loucuras, mas sim utilizar as ferramentas de scout e trazer jogadores com dados estatísticos comprovados de alta performance, sem que os mesmos custem altos valores.
Falta coragem para iniciar esse processo, como Billy Beane começou há mais de 10 anos com os Athletics, pois para isso, será necessário dar muitas explicações e ter paciência. Para isso é necessário se basear em uma filosofia, um projeto de futebol, coisas que infelizmente não são aceitas pelo status quo do futebol brasileiro, que quer tudo para ontem, incluindo a imprensa e torcedores, fazendo com que os clubes se endividem cada vez mais, asfixiando qualquer modelo ousado e inovador que traga lucidez e renovação na forma de fazer futebol no Brasil.
A cada ano que passa, fica cada vez mais claro que a bola não entra por acaso, e vemos exemplos diários de altas performances dentro e fora de campo de equipes que se reinventaram, ou que estão no topo das suas respectivas ligas devido ao extremo profissionalismo que se tem em cada fator crítico na tomada de decisão dentro de um clube de futebol.



Comentários

  1. Caros,

    Como preparador físico de futebol profissional, compreendo a importância deste tema. Trabalhei com o sistema Prozone na temporada 2010/2011 no Al Ain Club dos Emirados Árabes. Um sistema fantástico com uma variada gama de ferramentas que possibilitam uma análise completa de todos os parâmetros de performance e, o mais importante, de maneira precisa, tanto de sua equipe quanto dos adversários. Trabalhando há anos em grandes clubes do Brasil e do exterior, sempre questionei o grande número de contratações equivocadas. Acredito que através da criação de departamentos científicos e de análise estatística, seria possível se estabelecer a médio prazo algo que chamo de CERTIFICAÇÃO DE ATLETAS, reduzindo a margem de erro nos investimentos feitos em atletas de futebol. Parabéns pelo artigo!

    Francisco Adolfo Ferreira
    Gestor Esportivo
    Diretor Executivo do CEPERF
    Centro de Excelência em Performance de Futebol
    www.ceperf.com.br

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