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O Brasil ainda é o país do futebol?





Estamos iniciando o mês de março, e devido ao péssimo calendário do futebol brasileiro, a temporada está quase completando 2 meses e quais os destaques esportivos até o momento?

Extra Campo
O desastre de Oruro
O jogo da Libertadores do Corinthians com 4 torcedores
O cabelo do Neymar
A condenação do Sheik
As idas e vindas judiciais da Arena Palestra
A ação judicial contra o patrocínio da Caixa no Corinthians
A quase desgraça da avalanche da torcida do Gremio na nova Arena
A negociação da venda de Barcos entre Palmeiras e Grêmio
A demagógica declaração do ministro Aldo Rebelo sobre mais uma assistencialismo do governo aos clubes

E dentro de campo o que temos de memória até o momento?
Alguns dribles de Neymar
A bela atuação do Grêmio contra o Fluminense
O futebol intenso e eficiente do Atlético Mineiro de Ronaldinho e Bernard

Com exceção do Atlético Mineiro, qual outra equipe está jogando um bom futebol?

Fora Ronaldinho e Bernard, quais os demais destaques até o momento?


Muito pouco para um país que ainda se vangloria de ser o país do futebol não é?


Será que eu estou de mau humor?

Alguém poderia me ajudar a aumentar a relação de boas notícias dentro de campo?

Por essas e outras creio que é necessário uma profunda revisão da situação que o produto futebol se encontra no Brasil, pois com os valores imediatistas e midiáticos da atual sociedade brasileira, estamos deixando de perceber que em breve o futebol no Brasil pode se transformar mais um dos produtos de valor agregado que o país sempre teve orgulho de produzir, em uma commoditie de pé de obra para o mundo desenvolvido do futebol.

O país como um todo já está voltando ao mercantilismo do século XIX, pois se transformou em um exportador de commodities, que enriquece as elites de sempre e ilude a população mais pobre com as bolsas assistencialistas que está gerando uma nova classe social, os desocupados com poder de compra.

Voltando ao futebol, vemos as elites de sempre também lutando para permanecerem no comando. Defino elites como os presidentes de federações e confederações, a TV Globo e vários presidentes de clubes.

Sem uma revisão profunda e com uma autocrítica de todos os envolvidos, corremos um sério risco de em breve vermos escorrer por nossas mãos um produto que tem tudo para ser explorado muito melhor, mas que pela visão míope e pequena dos que ainda comandam o futebol, não querem que seja alterada.

O futebol desde os anos 90 se transformou em uma grande indústria que faz parte do segmento do entretenimento, que tem como seus similares os cinemas, shows e teatros.

Alguém se lembra como eram as salas de cinema, shows e teatro no Brasil há duas décadas?

Você voltaria a frequentar essas salas?

Para valorizar melhor esse produto, veja o que foi feito na Europa, principalmente na Inglaterra desde o final da década de 80, que teve como ponto de partida a tragédia de Heysel em 85 e culminou com o Relatório Taylor.

Para mim, o futebol na América do Sul ainda está nos anos 80 em comparação aos países de ponta nessa indústria, Inglaterra, Alemanha e Espanha. Leia nesse link  o comparativo mundial da média de público nos estádios do mundo e tire suas próprias conclusões sobre os porquês dos estádios, do jogo, dos campeonatos e os protagonistas dos times que disputam os torneios nesses países se transformaram nas últimas décadas.

Como parte desse processo, estarei participando do seminário " Calendário do Futebol Brasileiro", organizado pela Brasil Sport Market, que será realizado em Março em São Paulo. Para mim, o calendário é uma das partes primordiais para que o futebol volte ser um espetáculo atrativo para o público. Junto com o calendário, considero que os horários das partidas, as novas arenas e a criação das ligas são os pilares da transformação do atual momento do futebol brasileiro.

Precisamos deixar de colocar a sujeira embaixo do tapete, fazer uma profunda reflexão e um comparativo com esses países de ponta, caso contrário, ao invés de aproveitarmos todo o potencial de demanda reprimida que se pode explorar com o produto futebol, continuaremos a ver cenas deploráveis como as ocorridas na Bolívia e Argentina recentemente.


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