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Um grande passado pela frente?

Li nesta semana um provocante livro do autor Mario Sergio Cortella , Qual é a sua Obra? ( Editora Vozes,2011). O livro fala sobre inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética. Recomendo esta leitura como reflexão pessoal e que se aplica em vários segmentos da nossa vida. 

Em várias passagens do livro eu efetuei uma análise sobre meus comportamentos e valores éticos, em quais áreas me considero que estou alinhado com meus princípios e outras que temos que efetuar reflexões e/ou possíveis inflexões na nossa forma de pensar e agir.

Levando os ensinamentos deste livro para o Futebol, um capítulo em especial me chamou muito a atenção, parte dele pelo histórico recente e parte dele pelo presente. O título do capítulo é : “ Um grande passado pela frente”.

Transcrevendo uma parte do capítulo:

 A armadilha do mesmo

O mesmo o tempo todo do mesmo jeito. Se você não tem medo do mesmo, é melhor começar a ter. Tem gente que não consegue avançar em direção ao futuro e acaba ficando com um grande passado pela frente. É aquela pessoa que só quer mais do mesmo. E ainda cai numa outra armadilha. Ela se agarra ao passado e torna-se repetitiva.

É preciso saber separar duas situações: nem tudo que vem do passado é para ser descartado, há aquilo que vem do passado e precisa ser guardado, protegido, levado adiante. O que chamamos de tradição. Aquilo que vem do passado e precisa ser jogado fora, descartado, deixado de lado, a gente chama de arcaico. Deve-se trazer para o futuro aquilo que é tradicional  e deixar no passado aquilo que é arcaico. O arrogante tem uma fascinação pelo mesmo.

Gostaria que neste momento você como ser humano refletisse sobre os parágrafos acima transcritos e fizesse uma analogia das mensagens deixadas para nossas vidas em todos os seus segmentos: família, trabalho, vida social, torcedor, pai, líder, gestor.

Como este blog está voltado ao Futebol e Arte, o que podemos chamar de tradição dentro dos clubes de futebol?

O tamanho de sua torcida, as conquistas, a história, o valor da marca. Através desta tradição saber explorar este valor transformando em receitas,  ações de marketing, expandir a marca transformando-a em uma marca com apelo global, explorar o potencial capital humano dentro da sua torcida, etc. Potenciais para explorar a tradição não faltam.

Creio que a maior reflexão deve ser para o que estamos trazendo de arcaico para o tempo presente e futuro? 

A forma de chegar ao poder dentro dos clubes, a mentalidade arcaica de quem os administram, incluo nesta mentalidade arcaica também o pensamento de parte dos torcedores. O caminho do futuro é trazer jogadores e treinadores que fizeram história , mas que podem ter ficado arcaicos ?

Parte de nós torcedores e dirigentes estão realmente com o pensamento no futuro ou somente estão,  inconscientemente, almejando um Grande Passado pela Frente tanto em nossas vidas como para as instituições na qual convivemos, influímos e gerimos?

Transcrevendo a parte final do capítulo:

Há gente muito satisfeita consigo mesma, porque julga deter o modo bom de ser. E acha que isso é liderar. Ele não consegue olhar a  outra pessoa como fonte de renovação. Cuidado com gente cheia de certeza. Gente muito satisfeita fica muito satisfeita consigo mesma e só fica fazendo mais do mesmo o tempo todo.

Guimarães Rosa dizia: “ o animal satisfeito dorme”.

Deixo estas frases finais a serem refletidas no nosso íntimo e que Presidentes, Vice Presidentes, Conselheiros, Treinadores, Jogadores e Torcedores de futebol reflitam se o que estão projetando para o futuro é no máximo um  "grande passado pela frente" ou se fazemos parte dos provocantes e revolucionários animais insatisfeitos.

Que futuro queremos construir?

Comentários

  1. Boas, Bense.

    Bom texto, creio que o jogo de ontem refletiu bem essa pergunta na cabeça dos torcedores, mas deveria realmente estalar na cabeça dos jogadores e dirigentes do Palestra.

    Sabe, ontem, dia 4 de setembro, por um instante, pensei que o gol sairia de pênalti no último minuto, or um instante...

    Parabéns pela reflexão!

    Adriano Paciello

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