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Superstição

Assistindo ontem a mais um empate do Palmeiras transmitido pela TV Globo, me veio um sentimento que desde os primórdios do futebol  faz parte do inconsciente coletivo do torcedor, a superstição.

Superstição é a crença sobre relações de causa e efeito que não se adequam à lógica formal, ou seja, são contrárias à racionalidade. As superstições, não fundamentadas ou assentadas de maneira irracional no ser humano, podem ser baseadas em tradições populares, normalmente relacionadas com o pensamento mágico. O supersticioso acredita que certas ações ( voluntárias ou não) tais como rezas, curas, conjuros, feitiços, maldições ou outros rituais, podem influenciar de maneira transcendental sua vida.( Fonte : Wikipedia)

Comprei uma TV nova de 46`` há dois meses, transmissão HD, som de cinema e desde que comprei essa TV não vi nenhuma vitória do Palmeiras nela. Nos jogos do Palmeiras transmitidos pelo Pay Per View ou eu estava fora ou via na outra TV. Adivinha o que eu fiz no jogo contra o Figueirense quando acabou o primeiro tempo? Desliguei a TV da sala e fui pro quarto e o que acontece no segundo tempo? Gol do Palmeiras e vitória!!!!!

Ontem quando acabou o jogo adivinha o que me veio na cabeça?
" A culpa é ver jogos nessa TV com transmissão da Globo. "
Pronto, lá vem a dona superstição bater na minha cabeça.

De onde vem essa loucura, paranoia,  que o torcedor de futebol tanto se apega em caso de vitória ou amaldiçoa após uma derrota catastrófica?  As maluquices vão desde pequenos fatos corriqueiros que ninguém dá a mínima até as coisas mais engraçadas.

Hoje vou listar algumas superstições e coisas do gênero que eu e meus irmãos ,Os Três Porquinhos, tínhamos durante todos esses anos desta maluca paixão pelo Palmeiras.

A MESMA ROUPA

Uma das campeãs que um dos meus irmãos fazia era usar a mesma roupa em todos os jogos, inclusive a  cueca, me lembro que era calça de moleton preta e camiseta amarela. Além disso, até pra ir pro estádio era cada um no seu lugar no Trovão Azul ( o fusquinha azul do meu Pai ) durante a ida. Em 89, Palmeiras tinha um time forte, Leão como técnico, Neto, Edu Manga, Gaúcho, Dario Pereira. Ganhamos a taça dos invictos. Meu irmão Adriano achava que ele era o responsável espiritual pela campanha irretocável até o fatídico jogo com o Bragantino que nos eliminou do Paulistão. Palavras do meu irmão após o jogo: “ Tá vendo? Mesmo com a mesma roupa de sempre, ninguém ficou no lugar certo no carro. Por isso fomos eliminados.”

O CALENDÁRIO

O ano era 86, Palmeiras com time forte , Jorginho, Mirandinha, Edmar, Éder. Novamente todos confiantes e meu outro irmão Luciano tinha uma tática infalível que não tinha adversário que podia nos bater. Eu tinha um calendário do Palmeiras e ele tinha uma borracha do Palmeiras. No dia do jogo ele punha a borracha bem em cima do número de pontos que o Palmeiras iria atingir se ganhasse o jogo. Num dia eu cheguei da escola à noite, abri a gaveta pra guardar as coisas e sem querer a borracha saiu do lugar. Na sequencia o Palmeiras tomou o empate. Meu irmão,  com um olhar furioso, abriu a gaveta, colocou a borracha no seu devido lugar e fechou a gaveta sem falar nada. Minutos depois, gol do Palmeiras e vitória. Ele vira pra mim e grita: “ Eu falei que não era pra tirar a borracha do lugar!!! “



O GORRO

Essa também é do meu irmão Luciano. O dia do Gol mais Gol da minha vida. Final de 1993, frio enorme na Gaiola das Loucas. A nossa Mama fala pra ele levar um gorro. Aquele gorro que todo mundo de classe média já teve, azul marinho, vermelho e branco bordado em “ Estilo Inca “, comprado na feirinha de malhas de Campos de Jordão. Ele leva o gorro como um amuleto. Aos 36 minutos do primeiro tempo, Gol do Zinho. Loucura generalizada na arquibancada, todos se abraçando, gritando, vibrando de alegria e o gorro sumiu. De repende meu irmão grita desesperado: “ O Gorrooo!!”. Ele se joga no meio de uma multidão de pernas até voltar com o santo amuleto em mãos, como um caçador que vai à procura da sua caça. Olhar de guerreiro  que cumpriu sua missão. No final do jogo, Palmeiras campeão!! E adivinha quem foi o responsável pelo título? O GORROOOO!!! Depois daquela final, o santo amuleto era guardado em um santuário especial aguardando sua nova missão. Todas as finais , depois daquele jogo, verão , calor, frio, chuva, quem estava lá presenciando todas as vitórias de 93,94,96, 98,99 e que foi o grande responsável pelos títulos?   O GOORROO!!!!

A CURVA SUL

Na final de 1993 ficamos um pouco atrás da linha de fundo, com a visão do estádio na diagonal. Resultado, Palmeiras campeão. Depois daquele jogo, em todas as finais na gaiola das loucas, pra onde nos dirigíamos? Pro mesmo lugar, mesmo que chegássemos cedo e tivesse lugar no meio do campo. Assim foi na final do Brasileiro de 1993, na final da Copa do Brasil de 1998. Quando era clássico e a torcida do Palmeiras tinha que ficar do outro lado íamos nós pro mesmo local, só que do outro lado. Assim foi no jogo contra os bambis de 1994 que o Evair fez aquele gol de falta e praticamente sacramentou ou título paulista. A final  do Brasileiro de 94 contra os gambás foi no Pacaembú. No segundo jogo, pra onde fomos? Pras cadeiras verdes, bem na curva. Palmeiras campeão. Não tinha erro, o Gorro , a mesma curva Sul, que Luxemburgo, Edmundo, Rivaldo, Evair que nada, nós éramos os responsáveis pelos títulos.


Na final contra o Boca no Morumbi em 2000, o estádio estava lotado, chegamos cedo mas tivemos que ir pra curva sul do outro lado. Mas não tinha erro, o Gorro estava lá, tudo garantido. No final não deu certo, o motivo? Sei lá, mas algo aconteceu que ainda não tive como explicar.

Parafraseando Sancho Pança na célebre obra Don Quixote de Miguel de Cervantes:

 Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay.”

E você, quais as maluquices e loucuras já presenciaram, fizeram ou fazem pra que o resultado do jogo seja o esperado? Quem nunca se sentiu o responsável pela vitória ou pela derrota e se sentiu cúmplice mas de uma forma silenciosa, sem dividir com ninguém esse sentimento, como que estivesse cometido um crime?

Futebol, é muito mais que um jogo.

Comentários

  1. Grande Marcelo,

    Primeiramente, parabéns pelo blog. Está bem bacana !

    Com relação a este posting, diria que na minha família existe uma "tendência" interessante, que vem se confirmando já há 3 gerações: todos os homens são palmeirenses, e as mulheres corintianas !

    Então imagine só como fica a situação quando rola um clássico e todos têm que assistir juntos ... caraca, evita-se comentar qualquer coisa, pois dá uma encrenca danada, e todos torcem somente "no pensamento" ... é muito engraçado, senão trágico !

    Indo mais na linha da superstição, a minha mãe tem um lance desses: quando vamos à casa dela, e tem jogo do time dela passando, ela mantém a tv ligada mas nunca assiste, ficando a ouvir o jogo da cozinha ... ela diz que se assistir, o time dela vai perder ! Nunca verifiquei a veracidade disso, mas que eu me divirto, isso é fato !

    É isso aí. Grande abraço !

    Costacurta

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  2. oi Marcelo, lendo seu post comecei a puxar na memória o que eu faço de maluquice... rs... e, a primeiro fato de que me lembrei é o "lado do sofá" em que assisto os jogos do Palmeiras aqui em casa.... só do lado esquerdo! se sento-me no canto direito parece que a coisa não vai! é incrível isso...

    nesse ano fui a 2 jogos... Palmeiras x Botafogo de Rib Preto pelo Paulistão e Palmeiras x Flamengo, recentemente, pelo Brasileirão, nas 2 partidas, o resultado se repetiu... 0x0! hehehe... quem é o culpado? sou eu! rs.

    verdaços.

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  3. Bense, sabe o que é pior? É que tudo isso é verdade! Onde há paixão, há superstição há o sobrenatural, porque somente tal sentimento traz todo esse mistério!


    Parabéns mais um avez por mexer com lembranças tão doces que tentarei reaver a cala preta, a camiseta amarela e a cueca zebrada! - rs

    Adriano Paciello

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  4. na final da Copa do Brasil 98 e Copa Mercosul 98 quando eu tinha 10 anos, Libertadores 99 quando eu tinha 11, e Copa dos Campeões 2000 e Torneio Rio-SP 2000 quando eu ja estava com 12, em todas essas finais eu sempre estava usando a minha bermuda do Sapo Caco e a camisa branca do Palmeiras de 97, eu me sentia o responsável pelos títulos também.

    não importa onde era o jogo, se tivesse passando na TV ou não, se eu estivesse em casa ou no inferno!! não importava, se eu fosse no estadio ou não, se eu tivesse com a bermuda do Sapo Caco e com a camisa branca do Palmeiras de 97 era batata, vitoria e titulo

    na final da Mercosul 2000 eu não estava usando o "uniforme" magico, na final da Libertadores 2000 usei outra camisa do Palmeiras, a bermuda do sapo Caco estava la talvez por estar usando ela o Palmeiras seguro o empate, mas a camisa não era a branca de 97 e sim a verde numero 1 de 98, se naquele jogo eu estivesse usando a camisa branca de 97, aquela bola que passou em cima da linha e o Asprilla não enfio o pé, usando o uniforme "magico" completo fatalmente seria gol, e o titulo seria nosso, me culpo até hj por não usar a branca de 97, e no Mundial de 99, minha mãe me obrigou a colocar o uniforme da escola...PUTZ!

    em meados de 2001 quando eu ja estava com 13 a bermuda rasgo e minha mãe jogo fora, e a camisa foi ficando apertada e pequena, e em 2002 quando eu ja estava com 14 a camisa não cabia mais...

    hoje com 23 anos uso ela no ombro, apenas como uma tradição, sei que magia dela não existe mais, ela trás mais nenhuma sorte, mas tambem não da azar, pode parecer loucura mais ja pensei seriamente em fazer um filho pra vestir ele com a camisa e usando uma bermuda do sapo Caco que eu ja vi vendendo no shoping! evidentemente não era a mesma da minha época, mas era do Sapo Caco!! tive esse ideia ter um filho em 2009 após aquela patética campanha no Brasileiro, falei isso com a minha namorada, ela olho na minha cara e falo, so casando, estou pensando seriamente e engravidar ela!! so pra ver o Palmeiras campão de novo, ano passado ela pensou que estava gravida, atrasou a...bom vc sabe, mas era alarme falso.

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  5. Bem, eu tenho algo que mais parece TOC (transtorno obsessivo compulsivo)do que superstição, quando o jogo está muito difícil. Eu permaneço com o corpo na mesma posição do momento em que o Palmeiras obteve a vantagem. Parece que se eu me mexer, o jogo pode virar para o adversário. Há pauda apenas no meio tempo e no final do jogo.

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