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1978 – O ano que eu disse sim ao Futebol

A minha relação de  paixão pelo  futebol  já tinha dado sinais quando eu tinha 6 anos de idade. Esta emoção ainda era inicial, como uma brisa leve,  mas que me agradava muito senti-la escutando e algumas vezes assistindo aos jogos do Palmeiras .  

Nessa época eu jogava muito futebol em todas as suas versões, time contra time, gol a gol, paredão, rebatida e futebol de botão. A gente até fazia mesa redonda após os campeonatos de botão. Uma vez jogamos o torneio de botão  Libertadores da América. O troféu era o mapa da América do Sul colado em uma banheira velha de boneca. Surreal quanto um quadro de Dalí.

Tive a sorte de ser criado em uma vila sem saída com uma pacata pracinha. Tive mais sorte ainda porque esta mesma vila era um enorme terrão até meus  8 anos de idade. Para a molecada, viver em uma rua sem saída, com um terrão enorme como quintal, um conjunto de sobrados sendo construídos, era um oásis. Pintar-se  de índio e subir nas árvores, andar de bicicleta, empinar pipa, jogar bolinha de gude e jogar muito futebol. Marcar jogo contra a rua de baixo era o nosso Derby. Desenhávamos o campo com pó de cal, como que preparássemos o nosso “gramado “ para a final da copa. Nosso uniforme era camisa branca Hering  e Kichute. O resto podia ser qualquer cor de calção e meia.  Essa emoção era indescritível. 

Em 1978, veio a pavimentação e iluminação da rua, construção da pracinha. Junto com estas melhorias, veio a Copa do Mundo de 1978 que pavimentou minha paixão por esse esporte. Foi durante a Copa que tive a convicção de  que o futebol havia chegado em minha vida pra ficar para sempre. Até o meu aniversário foi temático com a Copa. 

 Quem que aos 8 anos de idade não adorava sair mais cedo do colégio porque tinha jogo do Brasil ou então pedir para faltar na aula ? O mais legal de tudo era reunir os amigos e a família e a cada gol do Brasil era sair correndo pra rua junto com toda a molecada gritando Goooollll!!!!  

Acho que gritar gol tem a mesma sensação de evocar o mantra  Om. A sensação de prazer é a mesma,  mas uma é mais introspectiva, serena e contemplativa, enquanto a outra é pra fora, expansiva, explosiva. Mas para falar só sobre o grito de gol será necessário outro post. 

Essa Copa pra mim foi uma total mudança de relação de como eu enxergava o futebol.  A emoção era forte em cada partida e também as dúvidas. Como é possível anular um gol com a bola saindo do escanteio? Como o Brasil quase perde da Espanha se não fosse o Amaral salvar aquela bola? Por que Zico no banco ? Tinha orgulho de ver Jojô Beleza jogando bem e nosso Emerson Leão de capitão. Meu time não era fraco não...... 

O jogo mais legal e que talvez pela quantidade de gols e importância da partida, foi o jogo Brasil e Polônia. Sabia que o Brasil tinha que fazer saldo de gols e após sair na frente  a Polônia empata no finalzinho do promeiro tempo.Que vacilo???  Mas o segundo tempo com mais 2 gols, sendo que o terceiro gol ter saído após 3 bolas na trave em sequencia,f oi o suficiente pra festa da molecada. Cada gol do Brasil  a gente ia pra rua gritar, se abraçar, comemorar. Esses momentos ficaram impregnados na minha memória afetiva. Quanta emoção. Nunca tinha sentido esse tipo de sensações de alegria, até hoje não tenho palavras pra descrever o que a gente sente, porque desperta esta emoção. Tem coisas que a razão não consegue explicar, e nestas horas é que a alma entra em jogo e nos mostra que existe mais do que 5 sentidos e que somos seres divinos e ilimitados para poder vivenciar todas as experiências da vida sem racionalizar e só sentir a emoção de várias formas.


No mesmo dia a noite a Argentina ganhou de Perú de 6 a 0. Muita polêmica após o jogo pois começaram os boatos de que foi marmelada. Pra mim, mesmo com o Brasil não indo para a final, fui dormir naquela noite com a sensação de que, à partir daquele dia 21/06/78 aniversário de 41 anos de meu pai, eu tinha descoberto a minha primeira grande paixão fora do núcleo familiar, o futebol. Essa emoção que explodiu através da Copa do Mundo mas que foi imediatamente transferida e reforçada com os jogos do Palmeiras. Depois daquela Copa, todo jogo do Verdão a gente se reunia no banco da praça com radinho e bandeira na mão. Cada gol do Jojô Beleza narrado pelo Osmar Santos ou José Silvério, imediatamente a gente saia gritando, pulando e se abraçando na rua. A festa não tinha ficado em Junho ou somente de quatro em quatro anos, mas sim tinha ficado para eternidade dentro do meu coração.










Comentários

  1. Sensacional Marcelo!

    foi nessa época que também que teve início esse meu "vício" pelo futebol... a Copa de 78 foi a minha primeira... então com 12 anos. Mas foi na Copa de 82 que torci e chorei pelo futebol brasileiro... depois disso, 86 já foi bem menos... 90, nem liguei... 94 torci pelos sucessos dos palmeirenses Mazinho e Zinho.... e gostei da conquista... 98 tb torci um cadim... 2002 foi o auge com Felipão, nosso São Marcos, Roque Jr, Rivado e Ronaldo Fenômeno (que vinha de uma recuperação incrível).... a partir de 2006 torci apenas individualmente por alguns jogadores.... casos do Lúcio, p.exemplo.

    futebol é isso aí! uma paixão indescritível!

    bichinho picou, não tem mais jeito!

    verdaços.

    ResponderExcluir
  2. Marcelo... aqui vc falou tudo "Acho que gritar gol tem a mesma sensação de evocar o mantra Om" e me remeteu para 1969/70/71 até 74 quando eu jogava bola em um campinho de terra na Vila São Francisco e aos domingos, entre o macarrão da nona e as brigas de familia, o meu mundo e dos meus primos eram outro, era o planeta bola onde nós jogavamos pelada na serralheria na Pça Benedito Calixto... eu era o goleiro.. eu era o Leão!!!
    e olha que eu sucumbi a tentação de virar gambá pq o Ado Goleiro(ex gambá), morava na mesma rua....
    Futebol é puro grito, é saltar de punhos cerrados para o alto!

    Ricardo Rodrigues

    ResponderExcluir
  3. Eu, como irmão desse louco por futebol, não pude ver o exato momento em que ele se deparou com a maior e mais duradoura paixão da sua vida. Mas pude acompanhar as insanidades que protagonizou ao longo de 33 anos de lágrimas!

    Bense, parabéns pelo blog e por esse texto, ambos acabam sendo um alento a todo amante verdadeiro do Verde!

    Beijo.

    Adriano Paciello

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